O Perfume da Folha de Chá

 

 

 

 

 

Nome: O Perfume da Folha de Chá
Autor: Dinah Jefferies
Ano: 2015
Data do encontro: 14/06/2018
Apresentação por:  Andréia e Renilda

Resumo da reunião do dia 14 junho 2018
feito por Vera Correa

Presenças: Ana Brandalise, Ana Lima, Andreia, Andyara, Bia Dornelles, Karla, Inocência, Maria Célia, Marilena, Marília, Masumi, Regina Moura, Renilda, Rosete, T Acioly, Vera e Zezé. Continuar lendo

Imersão no universo e na obra de Guimarães Rosa

Por Vera Guimarães Correa

Maio/Junho de 2018

Nasci na boca do sertão, em Sete Lagoas, MG, pertinho de Cordisburgo e Paraopeba, terra de meu pai.
Ainda na infância, ouvia falar de escritor da região, o Guimarães Rosa, nosso parente distante. No curso de Letras, passamos por ele, que achei difícil. Alguns anos e várias tentativas depois, me apaixonei por sua escrita.

Mas a definitiva descoberta aconteceu quando OUVI textos dele. G. Rosa se revela na oralidade.

Nesses links abaixo estão meus primeiros contatos com narração de seus textos, o relato de Dôra Guimaraes sobre essa atividade de contar histórias e um breve registro da vinda dela ao nosso clube de leitura.

Pelas minas e pelos gerais

http://primeirafonte.blogspot.com/2011/08/pindorama-10-0-0-s-55-0-0-w_10.html

https://livroseraquetes.wordpress.com/2013/11/28/guimaraes-rosa-na-voz-de-dora-guimaraes/#more-749

Fiz outras tentativas de OUVIR G. Rosa. Quis ir a alguma Semana Roseana que ocorre todos os anos em julho, lá em Cordisburgo. http://www.museus.gov.br/a-crianca-na-obra-de-guimaraes-rosa/

Mas é difícil encontrar acomodação nessa época e acabei desistindo.

Até que recentemente vi numa página do facebook, a Paleta Cultural, uma “empresa de turismo educacional”, que eles estavam organizando esse evento a que fui. Assisti a alguns vídeos na página, me interessei e me inscrevi. No dia 31 de maio me juntei aos organizadores, professores e cerca de 60 alunos do Sistema Anglo de Ensino, de SP.

A cada dia, saíamos das pousadas para caminhadas eco literárias, parando em lugar significativo e pertinente ao trecho a ser narrado, como, por exemplo, a estação ferroviária, um “retiro” (pequeno sitio), um riacho, uma árvore, uma capela, uma formação rochosa… O grupo de professores era formado por um geólogo, um biólogo, um professor de História, mais um especializado em arte e um professor de literatura.

Nessa altura, já estávamos acompanhados do grupo Caminhos do Sertão, formado por narradores, atores, poetas, cantores e compositores locais, três rapazes e três moças, especializados na obra de G. Rosa. Vejam a página desse grupo no facebook e aqui https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=5&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjqpebD4LrbAhXEhpAKHRaDD3EQFgg8MAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.cordisnoticias.com.br%2F2017%2F05%2Fgrupo-caminhos-do-sertao-e-as.html&usg=AOvVaw2-JdcFiixtaTDf6zwvVTWS e em outros resultados de pesquisa no google.

Cada trecho narrado era precedido de uma breve contextualização, ora feita pelo mentor do grupo de narradores, ora por algum professor, dependendo do caso.

Aí começava o encantamento: o violeiro tocava e cantava uma canção alusiva ao texto, seja do nosso cancioneiro ou composta por ele, e entrava o narrador.

Difícil explicar a magia de ouvir G. Rosa. Quem teve a oportunidade de estar com Dora Guimaraes tem uma ideia do que seja. Agora imaginem isso acontecendo no ambiente verdadeiro onde se passaram esses casos! Ríamos e chorávamos!

Ainda tivemos a oportunidade de acompanhar a encenação de SARAPALHA, a mesma que o grupo levou a São Paulo recentemente. https://www.cordisnoticias.com.br/2018/05/caminhos-do-sertao-se-apresenta-em-sao.html

Foram três dias de caminhadas por trilhas, poeirão, estradinhas, subidas e descidas, beira de córregos.

Já me sinto satisfeita e pronta para, daqui para a frente, ler G. Rosa ouvindo as vozes, sotaque e inflexões de crianças, coronéis, vaqueiros, roceiros, romeiros, curandeiros, loucos, fracos, mulheres da-vida, sofridas, perdidas…

Acho que não somos mais os mesmos. Travessia…