ENCERRAMENTO DAS REUNIÕES DE 2016: 2016 Acaba “Chorando Baixinho”

DATA: 08/12/2016

ANIVERSARIANTES: Conceição, Luzimar, Marilena e Rosete.”

Rosete inicia falando sobre as reuniões da Sociedade Literária Livros e Raquetes, destacando que esta noite seria a quarta festa de encerramento do ano. Seria uma noite diferente, porque não era sobre a leitura de um livro.

O título 2016 Acaba “Chorando Baixinho” refere-se ao grupo de Choro dos alunos da Escola Rafael Rabelo. Os rapazes são a prata da casa: Luís, com seu bandolim; Victor, com seu cavaquinho; Artur, com seu violão de 7 cordas e Augusto, com seu pandeiro.

O Choro e a Literatura brasileira. Vera discorreu sobre a origem do choro, que surgiu no final do século XX, no Rio de Janeiro, originário da musica africana “lundu”. Mais tarde, passou a fazer parte dos saraus da burguesia carioca.  Veja a apresentação da Vera na íntegra aqui.

A primeira grande figura apresentada foi Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a famosa Chiquinha Gonzaga, grande compositora e maestrina brasileira.(1847-1935)

Musica : Corta Jaca.

Ernesto Nazaré, pianista e compositor brasileiro, tocava em cinemas para se manter. Machado de Assis baseou-se em sua vida no livro “O Homem Célebre”. ( 1863-1934)

Musica: Brejeiro, Apanhei-te Cavaquinho.

José Gomes de Abreu, o famoso Zequinha de Abreu, nasceu em Santa Rita de Passa Quatro. Tocava flauta e clarinete. Ficou célebre pela sua música “TicoTico no Fubá”,que ficou conhecida mundialmente com a interpretação de Carmem Miranda.(1880-1935)

Musica: Tico Tico no Fubá

Pixinguinha, apelido de Alfredo da Rocha Viana Filho, foi o primeiro maestro arranjador e músico profissional. Tocava cavaquinho, flauta e saxofone. Fazia parte dos “Oito Batutas”que fizeram uma turnê na Europa, ficando seis meses em Paris.Foi homenageado com uma estátua no centro do Rio de Janeiro. (1897-1973)

Musicas: Carinhoso, Lamento, Ingênuo e Naquele tempo.

Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim, foi compositor e bandolinista de Choro. Ele gostava tanto de doces que não cobrava cachê nos saraus, contanto que servissem muitos doces. Faleceu aos 38 anos, pois era hemofílico. ( 1918-1969)

Músicas: Noites Cariocas, Vibrações, Doce de Coco e Santa Morena.

Waldir Azevedo, nasceu no Rio de Janeiro e foi músico e compositor. Tocava bandolim e cavaquinho, sendo considerado o Rei do Cavaquinho e o maior músico instrumental.Veio para Brasilia em 1971. Sua grande composição “Brasileirinho”é conhecida no mundo inteiro. (1923-1980).

Música: Brasileirinho.

O grupo “Chorando Baixinho”foi aplaudido entusiasticamente após todas as músicas tocadas.

Para ver a apresentação clique aqui: acaba chorando baixinho

Em seguida, passou-se ao lanche proporcionado pelas aniversariantes. Devemos ressaltar a organização impecável do grupo que trabalhou para este evento.

Veja as fotos do encontro aqui:

https://livroseraquetes.wordpress.com/2016/12/12/fotos-do-encerramento-do-ano-de-2016/

Choro e Literatura – Apresentação de Vera Correa no evento – 2016 acaba “chorando baixinho”

CHORO E LITERATURA

O QUE SE ESCREVIA NO SÉC. XIX? QUEM LIA?
O QUE FOI O SÉC. XIX?
http://www.rio-turismo.com/historia/seculo-18.htm

http://www.rio-turismo.com/historia/seculo-19.htm
Até 1808, Colônia. Até aqui, atividade econômica centrada na agricultura e na mineração. Ensino apenas básico. Cunho religioso.

1808 – Corte portuguesa veio para Rio de Janeiro.
. Administração e serviços jurídicos
. Abertura dos portos
. Imprensa Régia
. Bandas de música junto a irmandades religiosas e a regimentos (muitos chorões se formaram em bandas)
. Criação de ensino superior
. Missões artísticas e científicas
. Crescimento demográfico
. Formação de uma classe média
. Urbanização acelerada

1821 – Retorno de D. João VI a Portugal
. Lutas populares pela independência
http://www.m.vermelho.org.br/noticia/193156-1
1822 – “Independência ou Morte!”
. Outros jornais
. Romancistas publicam nos jornais (os folhetins)
. Alfabetização cresce
. Teatro musicado/teatro de revista (C Gonzaga, A Azevedo, C Gomes, Martins Pena)
. Movimentos pela abolição do trabalho escravo

1888 – Abolição
. Substituição atividades dependentes do trabalho escravo
. Investimentos em infra-estrutura
. Novas atividades.
. Novas profissões

1889
. Baile da Ilha Fiscal
. Proclamação da República.

ESCOLAS LITERÁRIAS
ROMANTISMO

G Dias, A de Azevedo, C Alves, J Manoel Macedo, J de Alencar, B Guimarães, F Távora e M de Assis.

REALISMO e NATURALISMO
M de Assis (de novo), R Pompeia, Arthur Azevedo, A Caminha

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escolas_da_literatura_brasileira

https://www.google.com.br/amp/www.infoescola.com/literatura/escritores-do-realismo/amp/?client=safari

http://m.suapesquisa.com/romantismo/principais_escritores_brasil.htm

Século em que se buscou a identidade nacional: política, literária, musical.
Foi neste ambiente que vicejou o choro, uma genuína expressão da alma brasileira.

Ferreira Gullar

Ontem, dia 4/12/2016, faleceu o poeta Ferreira Gullar.

 

Metade

de Ferreira Gullar

 

Que a força do medo que eu tenho,

não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito

não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,

mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe,

seja linda, ainda que triste…

Que a mulher que eu amo

seja para sempre amada

mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,

mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo

não sejam ouvidas como prece

e nem repetidas com fervor,

apenas respeitadas,

como a única coisa que resta

a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,

mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora

se transforme na calma e na paz

que eu mereço.

E que essa tensão

que me corrói por dentro

seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,

mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste

e que o convívio comigo mesmo

se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,

um doce sorriso,

que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim

é a lembrança do que fui,

a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso

mais do que uma simples alegria

para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio

me fale cada vez mais.

Porque metade de mim

é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,

mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar

porque é preciso simplicidade

para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia

e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,

e a outra metade…

também

 

 

Traduzir-se

de Ferreira Gullar

 

Uma parte de mim

é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.

Uma parte de mim

é multidão:

outra parte estranheza

e solidão.

Uma parte de mim

pesa, pondera:

outra parte

delira.

Uma parte de mim

almoça e janta:

outra parte

se espanta.

Uma parte de mim

é permanente:

outra parte

se sabe de repente.

Uma parte de mim

é só vertigem:

outra parte,

linguagem.

Traduzir-se uma parte

na outra parte

– que é uma questão

de vida ou morte –

será arte?

( Ferreira Gullar )

 

 

Cora Coralina – Poesia de Soniahelena

 

Soniahelena iniciou sua palestra na Associação Nacional de Escritores – ANE, em 24/11/2016,  com a  poesia de sua autoria publicada no livro, Ofício: trovador,  em 2014.  

 

 

CORA CORALINA

sôniahelena

 

Nasci na terra de Cora,

na rua da casa de Cora.

Histórias de ruas e becos

contava-nos o meu avô,

que ia à casa de Cora.

Era amigo da casa.

Da irmã e cunhado de Cora.

Só que não havia Cora.

Tudo isto acontecia

antes de Aninha ser Cora.

 

Cora, conheci mais tarde,

quando eu já lá não morava.

Minha mãe é que contava

as aventuras de Cora,

as travessuras de Aninha,

os seus sonhos de rainha,

devaneio de horas vagas,

que a levaram bem distante,

na busca de novas plagas

e aventuras de alma errante.

 

Durante um longo tempo

dela pouco se ouvia.

O que sonhava, onde vivia,

de que mágoas padecia,

que sucessos alcançava,

o que fazia,  quem amava

eram coisas não sabidas,

talvez até esquecidas,

como esquecida, também,

terá ficado Aninha,

 

até que num belo dia

ela retornou quietinha,

em silêncio, elegante,

sem posura nem rompante.

Voltou à casa da ponte,

bebeu da água da fonte

e, depois de estar fora,

Aninha virou doceira,

poetisa, prosadeira,

e todos souberam de Cora.