Faz cinco minutos ou quarenta anos que aquelas músicas acompanhavam nossos sonhos?
Quantas tardes ficamos tentando traduzir e entender nosso poeta?
E como as palavras nos tocavam!
E o mundo era nosso e mudaríamos os paradigmas e viveríamos um tempo mais justo.
Um viva ao Bob Dylan por mais este prêmio, por questionar e representar tão fielmente nossa realidade e nossos sonhos.
Faz cinco minutos ou quarenta anos?
Criação coletiva
Faz cinco anos que estive no Porto, por Vera Correa
Faz cinco anos que estive no Porto
Recente viagem da Andreia me trouxe lembranças de lá.
E me recordei também que, quando lemos Os Catadores de Conchas, de R. Pilcher, as apresentadoras Karla e Zezé pediram que levássemos registro de nossas heranças familiares, materiais ou imateriais.
Na ocasião, li o trecho final desta crônica:
http://primeirafonte.blogspot.com.br/2011/07/84-charing-cross-diario-de-bordo-porto.html?m=1
Faz…anos…
Rosete propôs outro mote para nos estimular a escrever:
Faz…anos…
A criação é livre, pode ser poesia, crônica, reflexões sobre fatos ou períodos da vida que nos marcaram. O tempo, também será o de cada uma… vidas, anos, meses, dias…
Rosete, em 17/09/2016
Faz 5 anos que não adentro em seus portões ,
As sombras das árvores fizeram um caramanchão de bonança .
Faz 5 anos que não adentro em seus portões ,
São tantas as folhas secas no chão que ao meu pisar soam como o repicar de um tamborim.
Faz 5 anos que não adentro em seus portões ,
Não reconheço os corredores , Mas os caminhantes se multiplicaram em gênero e número.
Faz 5 anos que não adentro em seus portões Parque Olhos d’água,
Te prometo não demorar mais 5, pois sei que tu continuarás aqui .
Eu quem sabe?
Vera Correa, em 26/09/2016
Faz cinco anos que estive no Porto
Recente viagem da Andreia me trouxe lembranças de lá.
E me recordei também que, quando lemos Os Catadores de Conchas, de R. Pilcher, as apresentadoras Karla e Zezé pediram que levássemos registro de nossas heranças familiares, materiais ou imateriais.
Na ocasião, li o trecho final desta crônica:
http://primeirafonte.blogspot.com.br/2011/07/84-charing-cross-diario-de-bordo-porto.html?m=1
Ana Brandalise, em 14/10/2106
Faz cinco minutos ou quarenta anos que aquelas músicas acompanhavam nossos sonhos?
Quantas tardes ficamos tentando traduzir e entender nosso poeta?
E como as palavras nos tocavam!
E o mundo era nosso e mudaríamos os paradigmas e viveríamos um tempo mais justo.
Um viva ao Bob Dylan por mais este prêmio, por questionar e representar tão fielmente nossa realidade e nossos sonhos.
Faz cinco minutos ou quarenta anos?
Faz Cinco Anos, por Rosete Carvalho
Faz 5 anos que não adentro em seus portões ,
As sombras das árvores fizeram um caramanchão de bonança .
Faz 5 anos que não adentro em seus portões ,
São tantas as folhas secas no chão que ao meu pisar soam como o repicar de um tamborim.
Faz 5 anos que não adentro em seus portões ,
Não reconheço os corredores , Mas os caminhantes se multiplicaram em gênero e número.
Faz 5 anos que não adentro em seus portões Parque Olhos d’água,
Te prometo não demorar mais 5, pois sei que tu continuarás aqui .
Eu quem sabe?
Marés
Desejo a paciência como as ondas do mar, que a cada recuo, um novo andar. Mar amigo, amante, mar ido, ficante, o nosso gozo incessante, tua espuma revela... Recua meu mar soberbo e te esconde nas brumas brancas para que eu, areia, possa resplandecer cada um dos meus grãos cintilantes. Recua meu mar grandioso e me deixa ouvir o som do teu desabar constante, para que eu, areia, possa acalentar todos os que se sentam em mim e meditam inebriados com o teu recital. Quando te ausentas, sonho castelos; acordo ventania, louca, ensandecida por não aguentar a espera… Mas sempre voltas, fazendo rendas pra me enfeitar.... E, rendada, rendida, risonha me abro para te amar... Volta, meu mar amante, a cada fim do dia para que eu, areia, me junte a ti sem o menor temor de desaparecer! Queria trazer-te as pérolas mais lindas para bordar na tuas rendas, Queria lamber todas as tuas fendas, e conhecer os castelos dos teus sonhos, Mas, amiga, amante, tenho que ir... ainda que queira ficar... e nas idas e vindas, vivo, pela certeza de sempre te encontrar... Vem e volta, mar bravio, leva contigo o fastio dos dias sem qualquer calor. Traz de volta a melodia de tuas vagas, noite e dia, suaves como o langor de meus castelos, areia, banhados por lua cheia resplandecente em fulgor, que vara a noite toda para morrer na alvorada de tua espuma espraiada em mim, areia esbranquiçada, vestida de só uma cor. Brasília, agosto/2016 Rosete, Soniahelena, Teresa Mury e Teresa Lirio
Marés
Proposta da Rosete para o grupo Livros e Raquetes:
A minha ideia é fazermos uma criação coletiva.
Esta poesia se chamará Marés e a estrutura é a areia falando para o mar recuar e depois voltar. O “para que” serviria para além de dar a cadência da maré dividir bem o que a areia fala para o mar.
Cada uma de nós faria pelo menos uma estrofe do recuar e voltar e vamos colocando no blog como um moto contínuo de criação coletiva.
Parece bom? Seria viável? Continuar lendo
Desejo a paciência
como as ondas do mar,
que a cada recuo,
um novo andar.
Mar amigo, amante,
mar ido, ficante,
o nosso gozo incessante,
tua espuma revela...
Recua meu mar soberbo
e te esconde nas brumas brancas
para que eu, areia, possa resplandecer
cada um dos meus grãos cintilantes.
Recua meu mar grandioso
e me deixa ouvir o som
do teu desabar constante,
para que eu, areia, possa acalentar
todos os que se sentam em mim
e meditam inebriados com o teu recital.
Quando te ausentas,
sonho castelos;
acordo ventania,
louca, ensandecida
por não aguentar a espera…
Mas sempre voltas,
fazendo rendas
pra me enfeitar....
E, rendada, rendida, risonha
me abro para te amar...
Volta, meu mar amante,
a cada fim do dia
para que eu, areia, me junte a ti
sem o menor temor de desaparecer!
Queria trazer-te as pérolas mais lindas
para bordar na tuas rendas,
Queria lamber todas as tuas fendas,
e conhecer os castelos dos teus sonhos,
Mas, amiga, amante, tenho que ir...
ainda que queira ficar...
e nas idas e vindas, vivo,
pela certeza de sempre te encontrar...
Vem e volta, mar bravio,
leva contigo o fastio
dos dias sem qualquer calor.
Traz de volta a melodia
de tuas vagas, noite e dia,
suaves como o langor
de meus castelos, areia,
banhados por lua cheia
resplandecente em fulgor,
que vara a noite toda
para morrer na alvorada
de tua espuma espraiada
em mim, areia esbranquiçada,
vestida de só uma cor.
Brasília, agosto/2016
Rosete, Soniahelena, Teresa Mury e Teresa Lirio