Coragem de ser mulher, de Sôniahelena

Coragem de ser mulher

numa terra que é dos homens

é saber abrir espaços,

é poder se arriscar.

Coragem de, sendo caça,

ir em frente e desafiar

tabus, preconceitos, culturas,

conquistando seu lugar.

Coragem de ser mulher

numa terra masculina

é assumir ter mil faces.

Ser triste para cantar

e meiga para sorrir.

Ser terna para envolver,

ser forte para chorar.

Atrevida e negacear,

submissa ao discordar.

Ser lúcida pra decidir,

ser livre para avançar.

Coragem de ser mulher

numa terra de varões

exige se atrever

ou até se desnudar

e, no entanto, com o querer,

conseguir se preservar.

Coragem de repartir,

coragem de recusar.

Coragem de se integrar,

coragem de competir

sem precisar disputar.

Coragem de ser mulher,

coragem de indagar.

Coragem de investir

no mundo, na vida, nos homens.

Coragem de acreditar,

coragem de compartir,

coragem de conquistar.

Coragem de se guardar

e também se insinuar.

Coragem de seduzir,

coragem até de amar.

Faz cinco anos que estive no Porto, por Vera Correa

 

Faz cinco anos que estive no Porto

Recente viagem da Andreia me trouxe  lembranças de lá.

E me recordei também que, quando lemos Os Catadores de Conchas, de R. Pilcher, as apresentadoras Karla e Zezé pediram que levássemos registro de nossas heranças familiares, materiais ou imateriais.

Na ocasião, li o trecho final desta crônica:
http://primeirafonte.blogspot.com.br/2011/07/84-charing-cross-diario-de-bordo-porto.html?m=1

 

MEMÓRIA – crônica de Vera Correa

SENHORA DO TEMPO

MEMÓRIA

Ao envelhecer, ganhamos muito. Na maioria das vezes, ganhamos leveza perante a vida, estabilidade financeira e emocional, ganhamos quilos, tolerância com nossas deficiências e as dos outros, consciência de que as aflições passam.
E perdemos muito: perdemos agilidade, cabelos, joelho, tolerância para barulhos, disposição para sair de casa. Ah, desculpem, essa sou eu. Nem todo mundo é assim.
Uma perda é certa: a da memória. Se bem que tem gente que desde nova não guarda fatos, nomes, circunstâncias, fisionomias e lugares, e se mete em grossas trapalhadas a vida inteira.
Por exemplo, amiga ainda jovem conta que recentemente se encontrou com alguém de quem não conseguia se lembrar totalmente. Para piorar a estranheza do encontro, a pessoa a chamava de Cristina. Minha amiga chegou a falar: “Provavelmente você me confunde com outra, não sou Cristina.”
Ao relatar o fato ao marido, ouviu dele: “Mas você É Cristina! Ana Cristina!” “Oooooooh, sou mesmo! No colégio todo mundo me chamava de Cristina! Ela deve ser do meu tempo de escola. E agora? Passei por louca! Ou metida.”
Hoje em dia, umas amigas dizem que só contam um caso em grupo: uma lembra o onde, outra o quem, outra lembra o como. E assim, de retalho em retalho…(Olha só, lembrei, isso é trecho de música que Nelson Gonçalves cantava na década de 1950.) Mas voltemos ao assunto, antes que ele se perca nos desvãos do cérebro já se desintegrando…
Tudo tem suas vantagens. Outro dia, reunidas depois do tênis, precisando preencher um formulário pela internet, uma amiga menos experiente em tecnologia pediu que uma colega a ajudasse. Na hora dos dados de cartão de crédito e senha, a favorecida os passou em voz alta, sem se importar que as amigas ali ao redor da mesa ouvissem. Diante do espanto de algumas, falou: “Ah, bobagem, ninguém vai guardar mesmo…”
Se algumas vezes rimos dessas peças que a memória nos prega, no mais das vezes ficamos inutilmente irritados. Pra quê? Em lugar de nos aborrecermos, que tal adotarmos rituais, medidas, rotinas e objetos amigáveis? Por exemplo, algumas providências que tenho tomado:
– escolher um gancho, uma gaveta, enfim, um lugar certo para deixar a bolsa quando chego a casa;
– prover o celular de capa espalhafatosa, personalizada, de forma a ser facilmente encontrado (Steve Jobs deve se revirar na tumba com esta sugestão: exigiu meses de trabalho da sua equipe até encontrar o elegantíssimo branco Apple que seus aparelhos ostentam, ou ostentavam, até eu colocar uma capa e um rabicho vermelhos no meu;
– separar os remédios, em caixinhas próprias, por manhã, tarde, noite; uma amiga me conta que a “margarida” já não comporta todos os medicamentos, agora usa uma “torre”;
– usar bolsas providas de compartimentos externos, de fácil acesso, para o objeto mais usado (chave, óculos);
– para quem não use bolsa, caso de uma de minhas irmãs, adotar calças com bolsos, como os modelos cargo;
– adaptar mosquetões à bolsa (no caso, mosquetinhos) para prender chaves, celulares ou algum outro objeto;
– se troco de bolsa para ir a algum evento, na volta retornar o conteúdo para a bolsa costumeira imediatamente.
Já para fisionomias, nomes, impressão de conhecer pessoas, ou para os casos de não ter a menor noção de quem seja aquela a nos sorrir, não sei o que fazer. Talvez usarmos crachá com nome e foto. Mas, atenção, foto de tempos passados, evidentemente, daquele tempo em que ainda éramos Cristina.

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan – Contribuição da Vera Correa sobre o Fundamentalismo.

FUNDAMENTALISMO

No livro, casos polêmicos de motivação religiosa:
. Casal judeu haredi e guarda das filhas.

. Gêmeos siameses filhos de casal católico jamaicano.

. O protagonista Adam Henry, testemunha de Jeová, portador de leucemia, recusa tratamento que contraria preceitos da sua religião.

https://noticias.terra.com.br/educacao/historia/a-politica-do-fundamentalismo,6008affdfb1ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

“Na verdade o fundamentalismo é um movimento socio-religioso e político muito diversificado e bem mais extenso do que as fronteiras do Islã. Paradoxalmente é nos Estados Unidos de hoje que encontramos o maior contingente de fundamentalistas, só que cristãos. O que se segue abaixo é uma síntese deste poderoso movimento, onde se procura identificar os tipos de fundamentalismo bem como seus objetivos.” (…)

“Antes de tudo é necessário definir o que vem a ser fundamentalismo ou integrismo(*). Designa-se assim todo e qualquer movimento religioso, de qualquer origem, que tende a interpretar a realidade de hoje através dos olhos de antigos conceitos e preceitos, e que renega os valores da modernidade. Para o fundamentalista, o fiel deve seguir à risca as páginas dos textos sagrados da sua religião. As Escrituras (sejam elas a Bíblia, o Talmude, o Corão, ou o Hadith dos hindus) foram traçadas por Deus, logo devem ser interpretadas como a sua vontade indiscutível.” (…)

“Naturalmente que os fundamentalistas não aceitam o criticismo, isto é, o movimento intelectual teológico moderno (pelo menos desde Spinoza para cá) que diz que elas, as palavras sagradas, devem ser interpretadas de acordo com a época e as circunstâncias em que foram escritas e que abrigam uma enorme distância da realidade atual.” (…)
“Foi contra isto tudo (a modernidade) que os fundamentalistas se ergueram fundando a WCFA (World’s Christian Fundamentals Association), em 1919. Os pastores das igrejas batistas, presbiterianas, episcopais e adventistas apontaram seu dedo acusador para o pecado da modernidade. Defendiam, em substituição ao Milenarismo (que, apocalíptico, predizia o fim do mundo para breve), o chamado 2º Advento de Cristo.” (…)
“As bases deles são os Institutos da Bíblia e as cadeias de radio e de televisão do interior do país – especialmente os estados que formam o ‘Cinturão da Bíblia’ “(…)

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bible_Belt

“No campo das ideias empenham-se para que as escolas ensinem o criacionismo, preso à interpretação literal do Livro do Gênesis, que afirma ser a natureza um ato de criação divina e, portanto, intocável pelo homem. Neste campo seu inimigo é a teoria da evolução de Darwin que eles consideram como demoníaca.” (…)
“Quem mais lhes deu espaço, a autodesignada Maioria Moral, foi o Presidente Ronald Reagan (1981-89) que os considerava úteis na mobilização anticomunista, e também como instrumento para bloquear as leis liberalizantes dos seus adversários do Partido Democrata.”

PELO MUNDO

Pena de morte para ateus é legalizada em 7 países

“De acordo com o relatório, que abrange 60 países, os sete (países) onde ser ateu ou desertar da religião oficial pode trazer a pena capital são o Afeganistão, Irã, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, Arábia Saudita e Sudão. (…)”

“Em muitos destes países, e outros como a Malásia, os cidadãos têm de se registrar como seguidores de religiões oficialmente reconhecidas, as quais normalmente incluem não mais do que o islã, cristianismo e judaísmo.
Ateus e humanistas são, assim, obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico, viajar para o exterior.
Países da Europa, da África subsaariana, da América Latina e da América do Norte, embora tenham governo tido como secular, dão privilégios a igrejas cristãs, como isenção fiscais e tratamento diferenciado em atividades como a educação.”

NO BRASIL

Religião e Política
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/04/bancada-evangelica-influencia-ate-deputados-catolicos-1215.html

“Mais recentemente é o forte tradicionalismo moral que tem marcado a atuação da Frente Parlamentar Evangélica, que trouxe para si o mandato da defesa da família e da moral cristã contra a plataforma dos movimentos feministas e de homossexuais e dos grupos de direitos humanos, valendo-se de alianças até mesmo com parlamentares católicos, diálogo historicamente impensável no campo eclesiástico.”