Nome: Os Catadores de Conchas |
Presenças: Ana, Andyara, Angela, Carmen, Karla, Luciana, Luzimar, Maria Célia, Marilena, Marília, Regina, Sylvia, Teresa Lírio, Thereza Matos, Vera e Zezé.
Eleuza enviou mensagem e artigos para a Feira de Trocas. Nena e Thaís justificaram as ausências.
Anfitriã: T. Matos
Lanche: Regina, Sylvia, Eleusa, Carmen e Thereza Matos
Apresentação: Karla e Zezé fizeram excelente trabalho de pesquisa, principalmente da geografia da Cornualha, região que se torna praticamente um “personagem” do livro. (Documento será postado no blog www.livroseraquetes.blogspot.com).
Dias antes do encontro, as apresentadoras lançaram questões para refletirmos, no tocante a legados em nossas próprias famílias, o que proporcionou vários depoimentos e debates. Os depoimentos pessoais, apresentados por escrito, serão postados no blog.
Avisos e Ajustes: A fim de enriquecer o debate e a percepção do livro lido, propomos que, daqui pra frente, cada uma de nós prepare um brevíssimo apontamento daquilo que lhe chamar atenção na leitura. Cada uma tem uma formação profissional, uma vivência pessoal, uma atividade de lazer diferente e, certamente, a leitura suscita em cada uma uma percepção diversa. Nem sempre o calor do debate permite que todas se expressem: duas horas é muito pouco para o tanto que gostaríamos de partilhar. As mais tímidas se retraem diante das mais falantes e quem perde é o grupo. Assim, vamos fazer mais uma tentativa de enriquecimento: façam uma breve nota daquilo que lhes tocar na leitura, ok?
Atividade paralela e correlata: Foi um sucesso o Bazar, que virou uma feira de trocas. Ninguém pôs preço nos artigos e dava pra ver como cada “doador” ficava feliz de ver que um seu objeto tinha sido escolhido. Algumas pessoas não tiveram oportunidade de fazer “limpa” nos armários ou não ocorreu a outras levar livros, CDs, DVDs. Quando quiserem, faremos outra Feira de Trocas.
CORNUALHA: GEOGRAFIA e HISTÓRIA
Cornualha em inglês, Cornwall, é um condado que fica numa península no sudoeste doReino Unido. Tem fronteiras com o Oceano Atlântico ao norte, com o Canal da Mancha ao sul, e a leste, com o condado de Devon, depois do rio Tamar. Juntamente com as ilhas Sorlingas, a Cornualha tem uma população de 534 300 habitantes, cobrindo uma área de 3563 km². O centro administrativo, e única cidade, é Truro.1
O título correto do condado é Ducado da Cornualha. O Duque de Cornualha é outro título doPríncipe de Gales.
A área hoje conhecida como Cornualha foi habitada na idade do Ferro, pelos celtas. A Cornualha é parte da área britanica (céltica) da Grã-Bretanha, separada de Gales após abatalha de Deorham, que entrava comumente em conflito com o reino inglês em expansão deWessex. Só em 936 d.C., o rei Athelstan viria a definir a fronteira entre os povos inglês e córnico pelo rio Tamar. Hoje, a economia da Cornualha depara-se com o declínio das atividades mineiras e piscatórias, tendo-se tornado mais dependente do turismo. A área é conhecida pelas suas paisagens selvagens, a sua variada e extensa costa e o seu clima ameno.
A Cornualha é lar do povo córnico e da sua diáspora (dispersão de povos por perseguição por motivos políticos ou religiosos), sendo considerada uma das seis “Nações Celtas” por muitos residentes e académicos. O condado mantém a sua identidade distinta com a sua história, língua e cultura próprias. Muitos habitantes questionam o atual estatuto constitucional da Cornualha, existindo já um movimento autonomista em busca de maior independência para a região no seio do Reino Unido.
Nos finais do II milénio a.C., houve uma descontinuidade cultural na região indicando uma possível invasão ou imigração. O estanho existente na região era procurado para adicionar cobree obter bronze. Os galeses já conheciam o processo de extração de minério.
SOBRE A AUTORA
Rosamunde Pilcher, OBE (Cornuália, 22 de Setembro de 1924) é uma escritora inglesa e foi encorajada a escrever desde pequena. Tinha 15 anos quando deflagrou a Segunda Guerra Mundial. Terminou os estudos e trabalhou durante um ano no serviço Real Naval. Rosamunde Pilcher escreveu ininterruptamente durante todos estes anos para várias revistas e publicou mais de uma dezena de livros. Pilcher edita o seu primeiro livro, Half-way to the Moon, em 1949, usando o pseudônimo Jane Fraser e só após dez títulos optou pelo uso do seu nome. A Secret to Tell, publicado em 1955, é o primeiro dos vinte e três romances que escreve já sob o seu nome. “Os Catadores de Conchas” foi publicado em 1988 aos 64 anos de idade. Apesar da sua carreira de escritora ter cessado em 2000, até os dias de hoje é bem prestigiada por suas obras. Atualmente vive na Escócia, onde se dedica à literatura e à família. Seu filho também é escritor.
Títulos publicados sob o pseudônimo de Jane Fraser:
- Half-way to the Moon (1949)
- The Brown Fields (1951)
- Dangerous Intruder (1951)
- Young Bar (1952)
- A Day Like Spring (1968)
- Dear Tom (1954)
- Bridge of Corvie (1956)
- A Family Affair (1958)
- A Long Way From Home (1963)
- The Keeper’s House (1963)
Títulos publicados sob seu nome:
- A Secret to Tell (1955)
- April (1957)
- My Own (1965)
- Sleeping Tiger (O Tigre Adormecido, 1967)
- Another View (O Outro Lado do Amor, 1969)
- The End of The Summer (Fim de Verão, 1971)
- Snow in April (Um Encontro Inesperado, (1972)
- The Empty House (A Casa Vazia, 1973)
- The Day of Storm (O Dia da Tempestade, 1975)
- Under Gemini (Sob o Signo de Gêmeos, 1976)
- Wild Mountain Thyme (Montanhas Silvestres, 1978)
- The Carousel (O Carrossel, 1982)
- Voices in Summer (Vozes de Verão, 1984)
- The Blue Bedroom and Other Stories (O Quarto Azul e outros contos, 1985)
- The Shell Seekers (Os Catadores de Conchas, 1988)
- September (Setembro, 1990)
- Flowers in the Rain and Other Stories (Flores na Chuva e outros contos, 1991)
- The Blackberry Day (1991)
- Coming Home (O Regresso, 1995)
- Love Stories (Introdução, 1996)
- The World of Rosamunde Pilcher (1996)
- Christmas with Rosamunde Pilcher (1998)
- “Victoria” (1999)
- Winter Solstice (Solstício de Inverno, 2000)
A HISTÓRIA EM SI:
Rosamunde Pilcher publicou Os Catadores de Conchas aos 64 anos de idade. Embora seja ousadia afirmar que a idade de uma pessoa é diretamente proporcional ao seu nível de maturidade, qualquer leitor que se dispuser a ouvir a história contada pela autora há de concordar com isto: Rosamunde nos presenteou com um romance impregnado por um aroma de sensatez e experiência. Sem que precisasse recorrer a estratagemas comerciais de forma a cativar aqueles que a leem, a romancista construiu, com precisão milimétrica, uma história de caráter profundamente coerente. Ler Os Catadores de Conchas traz, como consequência, uma voraz identificação com os personagens descritos, as situações vividas e as sensações experimentadas. É a realidade desenhada como tem de ser: simples, modesta e belíssima.
De uma forma geral, o livro conta a história da família Keeling. Penelope, a matriarca desse grupo singular, é filha de um pintor falecido, cujas obras repentinamente adquirem um valor considerável no mercado de leilões. Penelope ganhou do pai o belíssimo quadro Os catadores de conchas, que ocupa lugar de destaque em sua pequena residência. A personagem não é totalmente cônscia da quantidade extraordinária de dinheiro que ganharia ao vender a pintura e tem demasiado apego à obra para vendê-la, preferindo mantê-la à vista na reservada comodidade do seu lar. Tal decisão, por parte de Penelope, desperta reações distintas em seus três filhos – Nancy, Noel e Olivia -, sendo que os dois primeiros estão dispostos a argumentar com a mãe até que ela se renda e venda o quadro. Esse é o pilar central da história. Contudo, Os Catadores de Conchas tem, exatamente, 700 páginas. Como desenvolver essa questão simples em tantos e tantos parágrafos?
Muito simples. Além de não se ater à linearidade dos fatos, fazendo constantes passeios ao passado, Rosamunde Pilcher pouco recorre aos grandes fatos e reviravoltas, apegando-se às particularidades do cotidiano e da rotina. Na maior parte de sua narrativa, a autora nos entretém com comentários, as vezes repetitivos, sobre o almoço e as flores, o chá e o ritual de manuseio de ferramentas de jardinagem. A experiência de Rosamunde permite que ela prive esses acontecimentos do cotidiano do seu semblante enfadonho; sob a ação da magia da autora, cada ação se volve em um pequeno espetáculo da vida, em um pequeno detalhe que torna a própria existência mais bela.
Assim, embora siga fielmente a proposta original da sua trama, Os Catadores de Conchas contém, em suas entrelinhas, um tom filosófico. Não é algo aparente, porque a narrativa poucas vezes parte rumo a devaneios e digressões, mas algo que precisa ser sutilmente captado pelo leitor atento e curioso. Enquanto nos descreve as minúcias da vida de suas personagens, Rosamunde constrói um invisível tratado sobre a beleza das pequenas coisas e dos minúsculos prazeres. Seu romance é dotado de uma elegância sem precedentes: se alguém lesse toda a extensão d’Os Catadores de Conchas em voz alta, provavelmente usaria um tom grave e contido, mas melodioso, sem histerias agudas. A própria constituição do livro nos desacelera a respiração, surpreendentemente.
“Na minha opinião, o luxo é a satisfação total e simultânea dos cinco sentidos. Estou aquecida e, se quiser, posso estender a mão e tocar a sua. Sinto o cheiro do mar e também que, dentro do hotel, alguém está fritando cebolas. Um aroma delicioso. Estou saboreando cerveja gelada e posso ouvir as gaivotas, a água batendo e o motor do barco de pesca fazendo tchuc-tchuc-tchuc, de uma forma extremamente agradável.”
Bálsamo que é, o livro não agradará a todos os tipos de leitores. É possível que aqueles acostumados às narrações mais agitadas e fantasiosas sintam-se limitados com a narração comedida e sorridente de Rosamunde, mas é tudo uma questão de treino. É facílimo rejeitarOs Catadores de Conchas sumariamente, mas é muito mais construtivo treinar a própria percepção e o próprio inconsciente para receber a mensagem de paz e tranquilidade que o livro transmite ao decorrer de sua longa e lenta narrativa. Leva-se um tempo para concluir a leitura da obra, mas acreditem: a autora nos tira uma película da pupila quando finalmente finda sua história. Se a mensagem for corretamente absorvida, as flores ao seu redor tornar-se-ão mais bonitas. O café no final da tarde assumirá um significado mais profundo e sinfônico. A rotina se renovará.
E é por isso que Os Catadores de Conchas, como toda boa literatura, perturba. Fá-lo, todavia, com sutileza e afeição: perturba-nos porque nos faz perceber que, diariamente, à nossa volta, ocorre um luminoso espetáculo de pequenos deleites e experiências agradáveis e sequer nos damos conta disso.
Discussão do livro:
Legados de família:
Escambo e desapego: