Marés

Proposta da Rosete para o grupo Livros e Raquetes:

A minha ideia é fazermos uma criação coletiva.
Esta poesia se chamará Marés e a estrutura é a areia falando para o mar recuar e depois voltar. O “para que” serviria para além de dar a cadência da maré dividir bem o que a areia fala para o mar.

Cada uma de nós faria pelo menos uma estrofe do recuar e voltar e vamos colocando no blog como um moto contínuo de criação coletiva.
Parece bom? Seria viável?

Essa proposta foi aceita entusiasticamente pelo grupo, e poeticamente por Maryse:
“Rosete. Está despertando em mim coisas que na verdade nunca dormiram… Como vai ser? Já estou pronta… com o canto infinito do mar nos ouvidos e os olhos marejados, sal e areia”

MARÉS I

Recua, meu mar soberbo, e te esconde nas brumas brancaspara que Eu, Areia, possa resplandecer cada um dos meus grãos cintilantes.

Recua, meu mar grandioso, e me deixa ouvir o som do teu desabar constantepara que Eu, Areia, possa acalentar todos os que se sentam em mim e meditam inebriados com o teu recital.

Volta, meu mar amante, a cada fim do dia
para que Eu, Areia, me junte a ti sem o menor temor de desaparecer!

Rosete/agosto, 2016

MARÉS II
Vem e volta, mar bravio,
leva contigo o fastio
dos dias sem qualquer calor.
Traz de volta a melodia
de tuas vagas, noite e dia,
suaves como o langor
de meus castelos, areia,
banhados por lua cheia
resplandecente em fulgor,
que vara a noite toda
para morrer na alvorada
de tua espuma espraiada
em mim, areia esbranquiçada,
vestida de só uma cor.

Sonia Helena/agosto, 2016

MARÉS III
Desejo a paciência como as ondas do mar, que a cada recuo, um novo andar….

Teresa Mury/agosto, 2016

MARÉS IV
Mar amigo, amante, mar ido, ficante,
o nosso gozo incessante, tua espuma revela…
Quando te ausentas, sonho castelos; acordo ventania,
louca, ensandecida por não aguentar a espera…
Mas sempre voltas, fazendo rendas pra me enfeitar….
E, rendada, rendida, risonha me abro para te amar…
Queria trazer-te as pérolas mais lindas para bordar na tuas rendas,
Queria lamber todas as tuas fendas, e conhecer os castelos dos teus sonhos,
Mas, amiga, amante, tenho que ir… ainda que queira ficar…
e nas idas e vindas, vivo, pela certeza de sempre te encontrar…

Teresa Lirio/agosto, 2016

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