Nome: Antonio |
Por Inocência
A reunião do dia. sobre o livro Antonio, de Beatriz Bracher, contou com a presença de: Andyara, Teresa Lirio, Marilena, Marília, Terezinha Acioly, Maria Célia e Inocência.
Foi relembrada a data da próxima reunião que será dia 2 de abril.
Em seguida passou-se à votação da próxima obra que será lida. A obra vencedora foi Um hotel na Esquina do Tempo, de Jamie Ford.
Logo após, Andyara pediu a palavra para colocar em pauta a discussão para se saber o motivo de a frequência estar tão baixa. Ventilou-se a hipótese de ser o motivo relacionado às obras escolhidas que, talvez, não tenham despertado interesse nas leitoras. Outro ponto em defesa da baixa frequência foi o fato de ser período de férias. Não se chegou à conclusão, mas restou o incentivo para mais pessoas apresentem sugestão de leitura.
Mais uma vez Andyara pediu a palavra e fez leitura da preciosa colaboração da Vera que, embora não tenha participado da reunião enviou informações técnicas sobre o livro, nestes termos.
NARRAÇÃO E NARRADOR
O livro ANTONIO, de Beatriz Bracher, apresenta peculiaridades interessantes quanto a quem conta a história, os narradores. É o que se chama de polifonia textual, uma característica dos textos em que a narração é feita por diversas vozes.
Nesse caso, os personagens/narradores do romance polifônico possuem seu próprio ponto de vista, voz e comportamentos, mediados pelo contexto em que estão inseridos.
Nos romances polifônicos, os personagens/narradores atuam livremente, tendo todos certa autonomia.
As vozes presentes no discurso não se anulam e, sim, se complementam. Dessa maneira, elas formam uma grande teia de pensamentos, opiniões e posturas.
Quando lemos Madrugada Suja, de M Sousa Tavares, as apresentadoras discorreram sobre o conceito de narrador e suas várias características.
Se quiser rememorar, veja aqui ao fim da postagem https://livroseraquetes.wordpress.com/2014/08/07/madrugada-suja/
Passou-se à discussão propriamente dita da obra e, embora quase ninguém tenha gostado do livro, as ponderações da Tereza Lyrio trouxeram à lume um viés não claramente percebido antes pelas leitoras. Assim, a própria Tereza materializou sua fala da seguinte forma.
Impressões de Teresa Lirio sobre o encontro em torno do livro Antônio de Beatriz Bracher
Éramos sete as participantes da reunião. O livro desagradou a quase todas! Apesar de a trama ser reconhecida como boa, por algumas, a forma como a estória foi contada despertou irritação. Os personagens narradores se alternavam sem que se soubesse claramente quem estava falando e de que época era o relato. Algumas leitoras contaram que prosseguiam na leitura mesmo sem entender direito e outras que se aborreciam de ter que voltar em páginas anteriores para achar o fio da meada.
Começamos a reunião com a leitura de um resumo que permitiu fossemos nos inteirando e em conjunto organizando a nossa percepção sobre desenrolar dos acontecimentos. Fizemos uma reconstrução cronológica da trama que trouxe um pouco mais de alívio e até certa empatia, principalmente com Isabel, que expressava pensamentos que nos impressionaram por sua aguda apreensão das pessoas e das emoções.
A unanimidade foi quanto ao desconforto com o relato do final de vida de Isabel. Pareceu-nos desnecessariamente cruel, e indigno para a única personagem com a qual alguma identificação se estabeleceu, ainda que somente para poucas leitoras.
Como motivo de ter gostado do livro, foi dito que ele retrata e faz pensar sobre a questão da transgeracionalidade, ou seja a transmissão de geração em geração de aspectos emocionais. Os não ditos, os segredos, as expectativas, vão passando de uns para outros na mesma família, de forma inconsciente, e vão produzindo angústias e sintomas que terminam por comprometer a saúde mental de seus membros. Nesse sentido, o livro foi visto como o desejo de Benjamim de cortar essa cadeia doentia e abrir espaço para que seu filho Antônio pudesse nascer livre, sem nenhum mandato a cumprir!.
Fechou-se os trabalhos com o costumeiro delicioso lanche com destaque para o pavê de uva oferecido por Maria Célia.
Para ver as fotos do encontro clique aqui
Antonio – Fotos do Encontro
