
Nome: 1984
Autor: George Orwell
Ano: 1948
Data do encontro: 26/11/2021
Nome: Crônica de uma Morte Anunciada
Autor: Gabriel Garcia Márquez
Tradutor: Remy Gorga Filho
Ano: 1981
Data do encontro: 10/03/2022
Apresentação por: Ana Brandalise e Maria Célia
Registro da Reunião
Por Inocência Mota
A apresentação foi enriquecida com recursos audiovisuais elaborados pela apresentadora Ana Brandalise. Foi realizada da seguinte forma:
1. Maria Célia – Discorreu sobre a biografia do autor que nasceu em 06 e março de 1927, tendo sido criado dos dois aos oito anos pelos avós maternos. Fez um estudo histórico-cultural da extensa obra de Gabriel Garcia Márquez enfatizando que o autor foi inspirado pela obra A Metamorfose de Franz Kafka. Destacou os problemas decorrentes de uma vida financeira difícil e que o mesmo recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1982 e foi consagrado como mestre do realismo mágico. Para verificar os dados apresentados clique aqui biografia-gabriel-josecc81-garcicc81a-marquez. Também expôs sobre a numerosa obra do autor. Confira aqui obras-gabriel-josecc81-garcicc81a-marquez-
2. Ana Brandalise – fez um apanhado geral sobre os mais variados aspectos do livro. Crônica de uma morte anunciada é mais que uma crônica. O autor faz críticas à mentalidade machista. Gabriel diz que “o machismo é a alienação do direito do outro”; critica a igreja católica; a justiça quando reconstrói a ideia do julgamento público e sumário; a honra ao aduzir que a violência seria a única resposta para sua violação; a responsabilidade coletiva, quando o próprio autor admite que sua intenção era evidenciar a culpa de pessoas que poderiam ter evitado a prática de um crime irracional e não o fizeram; o amor que no caso de Bayardo e Ângela cresce a despeito da separação o casal, da solidão, do silêncio e é capaz de superar a ofensa.
A história é baseada em fatos verídicos onde o autor tenta montar os fatos como um quebra cabeça cujas peças advém de lembranças de testemunhas. Tudo indica que o narrador é o próprio autor, que, inclusive menciona mãe, esposa e irmãos e tia.
Menciona, ainda, que Garcia Márquez mostra, neste livro bem como em muitos outros, uma Colômbia regida pela honra e pela violência.
Por fim ressalta que “O nome do livro ficou famoso por significar algo que todos sabem que vai acontecer e não fazem nada contra”.
Mais detalhes, acesse https://livroseraquetes.com/wp-content/uploads/2022/03/apresentaccca7acc83o-cronica.pdf
Também aqui: crocc82nica-de-uma-morte-anunciada
Para ver o diagrama e personagens: https://livroseraquetes.com/wp-content/uploads/2022/03/personagens.pdf
Comentários das demais participantes:
1. Luciana – Achou uma genialidade do autor pois conseguiu prender a atenção do leitor, transformando-o em detetive de um crime anunciado e ocorrido há tanto tempo. Achou interessante a expectativa da população em relação à chegada de uma autoridade religiosa, fato que sequer chegou a acontecer. Sentiu dificuldade em acompanhar a infinidade de coadjuvantes na história. Gostou muito do livro.
2. Clea – Suscitou o tema: o que é de fato a honra?
3. Didi – Comentou sobre os nomes bizarros dos personagens. Achou que foi minuciosa a descrição da autopsia realizada no cadáver de Santiago; ressaltou que achou interessante ter sido encontrada, entre as vísceras, uma medalha de ouro que Santiago havia engolido aos 4 anos. Falou, ainda, que o fato de os irmãos gêmeos terem comentado que iriam cometer o homicídio é indicativo de que queriam que alguém os impedisse de cometer o crime. Fez comentários sobre a absolvição dos assassinos por terem “lavado a honra” da família. Comentou, ainda, sobre “as coincidências” que impediram as personagens de fazerem o que deveriam ter feito. Gostou muito do livro, embora tenha chegado ao término com a dúvida se Santiago realmente teria culpa do que o acusaram.
4. Inocência – Achou impactante a cena em que Santiago segura as vísceras e procura encontrar as portas do fundo da casa da mãe. Ressalta que uma personagem relatou que, naquele momento, Santiago andava com muita dignidade e parecia mais bonito do que nunca.
5. Janete – Gabriel Garcia Marques dá pequeno enfoque no que realmente interessa e discorre amplamente sobre outras questões com o foco de confundir o leitor. Diz que ele trata do tema “lavar a honra” como se fora algo bem atual. Relembra o caso Doca Street, relembra que o segundo julgamento só ocorreu sob pressão das mulheres e que daí teria surgido o movimento feminista no Brasil. Lembra que a filha da empregada de Santiago disse para a mãe que ele havia entrado em casa, quando, na verdade, este ainda, corria para chegar em casa. Por isso a mãe, ao supor que o filho estava em casa, fechou a porta impedindo-o de entrar. Essa cena não se esticou e ninguém explorou porque a filha teria dito isso. Diz que a cidade inteira amparou seu silêncio na desculpa da chegada do bispo, ou seja, na religião. Isso confirmaria que a verdade é que nos escondemos atrás de qualquer coisa e usamos o silêncio para nos justificar. É um livro que discorre sobre política, interesses, o lugar da mulher, e sobretudo o silêncio como arma defensiva.
6. Marília – Pontuou que o autor fez alguns comentários soltos e não lhes deu seguimento. A exemplo de como tratou do acervo de armas de fogo e as aves de rapina pertencentes ao pai do Santiago. Acha que o cronista fez críticas à igreja católica confundindo a opulência do bispo com a da própria igreja. O que deu origem a todo imbróglio foi a devolução da noiva, fato ocorrido no século XX parecendo típico do período medieval. O cronista aproveitou para criticar a fragilidade da justiça relatando que os processos ficavam jogados pelo chão e que quando chovia as salas ficavam alagadas e os processos no abandono. O advogado dos gêmeos sustentou a tese de homicídio em legítima defesa da honra, cuja pena seria prisão por três anos.
7. Marilena – O livro relata uma sociedade machista e arcaica. Considerou fortes, repulsivas e difíceis de serem lidas as cenas relativas ao odor das vísceras expostas.
8. Márcia – lembrou que os assassinos de Santiago somente tiveram consciência do mal que fizeram quando estavam sós, na delegacia. Contou que a cena da necropsia de Santiago a fez lembrar de um curso que fez no Instituto de Medicina Legal.
9. Rosana – Destacou o valor da obra, especialmente, nos aspectos culturais e sociais daquela época, tendo em vista os fatos ocorridos nas últimas horas antes de Santiago ser assassinado e as intenções de Garcia Marquez ao abordar tantos aspectos numa única obra:
- A obra aborda a inércia ou ausência de ações dos membros de todo o vilarejo mesmo após o anúncio dos irmãos Vicários de que Santiago Nasar cometera um “crime”, mesmo sem provas, e que pagaria com a própria vida, registrando e violando princípios básicos da justiça e do direito da pessoa humana;
- a narrativa provoca o leitor à reflexão sobre o comportamento social daquela comunidade que nada faz ou promove para que tal ato seja evitado. A provocação feita pelo narrador, que neste caso parece ser o próprio Garcia Marquez, relembrando fatos de sua juventude, faz uma íntima relação entre a realidade e a ficção, destacadamente, sob o argumento de que a honra perdida de uma moça deve ser mantida ou “lavada”;
- destaca-se, ainda aspectos de cunho religioso quando trata da visita do bispo ao povoado que, mesmo sendo por um momento rápido, mas com muito alarde, modifica o comportamento cotidiano dos moradores; c) no campo educacional, a violência estrutural latino-americana provocada, essencialmente, por homens é um dos temas abordados e de grande relevância, tendo em vista que a educação das meninas continua merecendo atenção à luz dos conceitos de princípios e valores e de sua posição social, uma vez que não são objeto da sexualidade do sujeito masculino que se apodera do corpo feminino, mas como protagonistas de suas próprias histórias de vida.
10. Rosângela – explicou que é normal segurar as vísceras ou tentar recolocá-las na barriga, quando estas saem da cavidade. No caso, é um instinto de auto proteger-se.
11. Solange – gostou muito do livro porque é uma narrativa que aborda os diversos papéis de membros de uma pequena comunidade em torno de um assassinato com o escopo de cobrança de honra. Entende que a obra evidencia a opulência do bispo e faz uma crítica à igreja católica. Critica, também, a inoperância da polícia, o apaziguamento do prefeito. Acha intrigante a omissão dos membros da sociedade. Entende que o morto não foi o responsável pelo desvirginamento da jovem. Quanto à relação da noiva com o marido não encontrou no livro fatos que elucidasse o mistério.
12. Suely Carneiro – Mencionou o Dia Internacional da Mulher, ressaltando a mudança de comportamento da época dos fatos narrados para cá. Embora os homens continuem machistas, a mulher está independente e segura de seus atos. A virgindade, hoje, não tem papel relevante em um relacionamento.
13. Sueli Amorim – Achou interessante a construção dos personagens tanto com relação à personalidade de cada um, mas principalmente como grupo social, dentro daquela comunidade típica de cidade pequena, com suas famílias, seus costumes e seus modos de se relacionarem. Enfatiza que como os costume, os valores vão adquirindo uma força e uma prevalência sobre o que pensam individualmente. Ressaltou que, embora todos soubessem o que ia acontecer permanece a não intervenção, todos envolvidos, mas com ações limitadas, com certa apatia.
14. Tereza Acioly – Comentou sobre o fato de todos os personagens saberem que havia um crime anunciado e ninguém nada fez para impedir.
15. Tereza Lírio – Comentou que os irmãos Vicário realmente não queriam matar, mas não podiam não matar e precisavam ser impedidos por alguém. O que os obrigava? Essa situação fala da dificuldade de se lidar com um conflito, e da necessidade de deixar para um outro a resolução, a escolha, e as consequências. No caso, a obrigação vinha da cultura patriarcal, do machismo e da moral rígida.
Achou instigante a trama deixar claro que muitos sabiam, mas por diversos motivos, até banais, como a confirmação do torneio de dominó, demoraram para avisar a vítima, e, assim não evitaram o que poderia ter sido evitado. Isso traz à tona a indiferença, a falta de empatia, a acomodação, a passividade.
A trama também nos instiga com a questão – E por que o próprio Santiago não se protegeu? Foi alertado, sabia do perigo, por que não aceitou o conselho: fugir ou se armar. Onipotência? arrogância? Negação da realidade?
Nem a mãe pode salvá-lo… Não podemos tudo!!!!
Registro do encontro:
A reunião ocorreu com a presença dos seguintes componentes do grupo: 1. Ana Brandalise; 2. Cléa; 3. Didi; 4. Inocência; .5. Janete; 6. Luciana; 7.Márcia; 8. Marilena; 9. Marília; 10. Maria Célia; 11. Sueli Amorim; 12. Sueli Carneiro; 13. Rosana; 14. Rosângela; 15. Solange; 16. Tereza; 17. Tereza Lírio.
Inicialmente houve a votação do livro a ser escolhido para a próxima leitura. O escolhido foi: A filha perdida, de Elena Ferrante.
A reunião foi finalizada com o costumeiro lanche patrocinado pelas aniversariantes do mês, que contaram com a colaboração de outras participantes do grupo.
As fotos foram tiradas por Suely Carneiro : fotos do encontro