
Nome: 1984
Autor: George Orwell
Ano: 1948
Data do encontro: 26/11/2021
Nome: A Filha Perdida
Autor: Elena Ferrante
Tradutor: Marcello Lino
Ano: 2006
Data do encontro: 07/04/2022
Apresentação por: Luciana e Sueli Amorim
Registro da Reunião
Por Inocência Mota
A apresentação ficou a cargo de Luciana Leão e de Sueli Amorim.
A biografia da Autora por Luciana Leão.
A autora é uma pessoa que prefere não se identificar. Por isso não concede entrevistas senão por meio de representantes. Usa pseudônimo de Elena Ferrante, pois entende que sua identificação poderia atrapalhar seus escritos. Luciana Leão trouxe, ainda, dados sobre as obras da autora e sobre o filme, seu diretor e sobre os artistas protagonistas.
Apresentação da obra por Sueli Amorim
Sueli fez um apanhado geral sobre a obra. Suscitou questões que levaram as participantes a uma análise percuciente do lado psicoemocional da personagem Leda.
Para ver a apresentação:
Roda de Fogo
“Por que o livro desperta tanta atenção”
A pergunta “Por que o livro desperta tanta atenção” foi quase um mote que a psicanalista, Sueli Amorim – numa roda de fogo entre 18 mulheres jovens e maduras, médicas, psicólogas, engenheiras, arquitetas, jornalistas, advogadas, educadoras, todas mães e realizadas profissionalmente – propôs para entender a obra de Elena Ferrante.
De fato, A Filha Perdida é uma instigante obra. Logo no início, a autora, por intermédio da personagem Leda, nos convida a sermos psicanalistas quando diz: “as coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender”. É uma obra fulcrada na ambiguidade e ambivalência onde a autora expõe o lado obscuro e intrigante da psiquê feminina.
Foi consenso que a história mexe com todas as mulheres porque lembra o quanto é difícil ser mãe uma vez que a maternidade vem com um legado de excessiva responsabilidade somada às demais atividades que esta tem que desempenhar. Ser mãe é um misto de amor e raiva, na visão da maioria das debatedoras. Em muitos momentos a personagem Leda se ressente de “não ser vista como pessoa, mas como uma função”. Uma função é uma exigência.
A história de Leda sugere a da autora eis que narrada na primeira pessoa. A personagem principal foi criticada, mas, também, defendida pelas “julgadoras”. Para algumas, o amargor e insensibilidade da mulher-mãe chegam a incomodar, Outras defenderam que Leda não teria sido boa mãe porque disso não teve escola. Ela não quis ser igual à mãe dela. A mãe de Leda não foi uma boa mãe.
No dia em que teve reconhecimento acadêmico, Leda priorizou o trabalho em detrimento das filhas, e seguiu, com sucesso, sua trajetória profissional. Apesar de ter deixado as filhas em segundo plano por um tempo, mantinha uma normal interação com a família, pois tinha o hábito de ligar para as meninas todos os dias. Mais uma prova desse amigável relacionamento familiar foi quando a personagem sofre um acidente e todos vem ao seu encontro. Apesar disso, e em função das cobranças da sociedade que exige uma mãe estereotipada em termos de anular-se por amor, ela carrega um sentimento de culpa que tenta explicar para os leitores por meio de muita simbologia. Para atenuar a culpa tenta satisfazer os desejos e caprichos das filhas mediante “uma série de gestos rarefeitos e irresponsáveis”, fazendo cada pedido parecer leve, cada incumbência, que lhes dizia respeito, um hábito afetuoso.
O desconforto advindo do fato de ser extremamente cobrada no seu papel de mãe é cada dia mais presente na vida das mulheres. Isso explica por que, atualmente, muitos casais assumem que não querem ter filhos. Não dariam conta de se desincumbir da excessiva demanda que a sociedade impõe.
Em suma, o livro acaba com o sonho do conto de fadas e do complexo de cinderela quando mostra a vida com seus percalços exigindo atitudes.
Participantes:
A reunião ocorreu com a presença dos seguintes componentes do grupo: 1. Aline; 2. Ana Brandalise; 3. Cléa; 4. Flávia; 5. Inocência Mota; 6. Luciana Leão; 7. Márcia Amorim; 8. Maria Célia; 9 Maria Conceição; 10. Regina Moura; 11. Renilda; 12. Rosângela; 13. Rosana; 14. Rosete; 15. Solange; 16. Sueli Amorim; 17. Sueli Carneiro; 18. Terezinha Acioly.
Para ver as fotos feitas por Suely Carneiro: fotos do encontro
Livro eleito para a próxima reunião: Sapiens, uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari.