A Promessa

Nome: A Promessa
Autor: Damon Galgut
Ano: 2022
Tradução: Caetano Galindo
Data do encontro: 02/02/2023

A Promessa

Registro, edição e publicação por Inocência, Andyara, Teresa Lírio e Ana Brandalise.

 Odila iniciou a reunião com uma explanação sobre a vida e a obra do autor e, ainda, ressaltou a situação político financeira da África do Sul por ocasião do desenrolar da história. Destacou que o autor, Damond Galgut, descendente de europeus, nasceu em 12/11/1963, em Pretória.  Para ver a apresentação: A Promessa- Odila.

Em seguida, Renilda fez considerações sobre aspectos literários, capítulos, personagens e modo peculiar da escrita do autor. Confira aqui a apresentação: Resenha A Promessa .

O livro suscitou opiniões divergentes entre as leitoras. A seguir alguns comentários expressos durante a “Roda de Fogo”.

Odila – Inspirada na história real de um amigo de Damon família Swart começa em 1980 e segue até o fim do Apartheid. A Promessa que a mãe faz – doar um imóvel para Salome, a empregada – é o fio condutor da narrativa e somente é implementada em 2018, após 3 funerais de membros da família.  A dificuldade para cumprir A Promessa pode ser explicada pelo regime segregacionista vigente na África de então e, ainda, pelo drama familiar vivido pelos personagens.  A personagem Salomé era quase invisível, apesar de ser o ponto central da história. A família era completamente desestruturada e desagregada tanto que a personagem Amor, após a morte da mãe, sai de casa e somente volta a conviver com os familiares por ocasião dos funerais do pai e de dois irmãos.

Suely Carneiro – Gostei do livro, apesar de não apreciar literatura sobre morte.  Leitura fácil. História densa e instigante. O autor soube, com maestria, mesclar o racismo, a diferença social e principalmente os conflitos familiares.

Flávia Luz – O racismo estava presente sobretudo do lado dos negros (exemplo: assalto e morte de Astrid por um negro; e, no fim do livro, as invasões que estavam sendo organizadas, pelos negros, para tomar as fazendas dos brancos). No que se refere aos brancos não vi tanto racismo. A Astrid, que era milionária, transava com um político negro e elogiava a suavidade da pele negra dele. Havia certa implicância no que se refere à escolha das religiões. O fato de não quererem dar uma casa, que pertencia à família, era motivado mais por ciúme e disputa pelo amor dos pais do que por racismo. Os irmãos não aceitavam a ideia dos pais de tirarem algo (no caso a casa) que deveria ser dos filhos para dar para uma pessoa que não era da família.

Inocência Mota – O tratamento dado aos personagens surpreende o leitor quando não caminha do modo esperado. No início, a alma da mãe, Rachel, anda pela casa e se aproxima dos moradores. Isso faz o leitor supor que haverá mais contatos sobrenaturais. Não há; O personagem Anton tem uma crise de culpa depois de matar uma mulher, o que induz a imaginar Anton uma pessoa com características mais positivas. A Amor, que ouviu a promessa da mãe e que teria condições de trabalhar no sentido de realizar o prometido, é omissa e somente aparece depois de trinta anos. Enfim, os personagens são fracos e não cativam.   

Ana Brandalise – Achei o livro muito interessante. Alguns pontos me chamaram a atenção:
– A divisão em capítulos onde a família se encontra sempre em um funeral. O autor faz coincidir cada funeral com um grande evento acontecido no país.
– A comparação da família com o país: uma promessa não realizada. A África do Sul com o fim do apartheid (regime de segregação) tinha uma promessa de igualdade, de dias melhores, entretanto a promissora sociedade não aconteceu.
– Reproduzindo o modelo segregacionista, o autor deliberadamente não dá voz aos negros. Em nenhum momento sabe-se o que eles pensam, diferentemente dos personagens brancos. Salome, que desempenha um importante papel, só fala um pouco no final.
-Uma questão que não fica clara, é quem é o narrador. O escritor mistura no mesmo parágrafo diferentes linhas de pensamento.
-Outro ponto a destacar é a troca de religião por vários personagens, dando margem ao autor fazer críticas a cada uma delas. Cada funeral possui um ritual diferente.

2 – Participantes:

A reunião ocorreu com a presença dos seguintes componentes do grupo:  1. Andyara; 2. Ana Brandalise; 3. Cléa; 4. Flávia, 5. Inocência; 6. Jaciara; 7.  Maria Célia; 8. Marilena; 9. Maria Tereza Viana; 10. Odila; 11. Renilda; 12. Rosângela; 13. Suely Carneiro.
Para ver as fotos do encontro: Fotos

3 – Local: Memorial Cultural do Iate Club de Brasília

4 – Livro eleito para a próxima reunião: Assim que Acaba, de Colleen Hoover.

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