O lar das crianças peculiares.

O livro “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares”, de Ransom Riggs,  é sucesso total entre pessoas de todas as idades, principalmente crianças e adolescentes. Eleito uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos, o livro teve também milhões de cópias vendidas em todo o mundo e foi traduzido para mais de 40 idiomas.

Tim Burton, diretor conhecido pela sua peculiar maneira de dirigir, só poderia ser aquele que traria o livro, também peculiar, às telas de cinema. Sem dar spoilers, o filme apresenta crianças com (super?) poderes, por isso chamadas de peculiares, que se unem contra o mal, interpretado pelos Etéreos. O filme é voltado ao público juvenil, porém nada impede que o expectador mais adulto reflita sobre a proposta. Naquela velha fórmula de bem X mal, Tim se sai muito bem com seu time de excelentes atores. O figurino, como de costume, segue interessante e faz uma excelente composição com o roteiro.

Seres com poderes unidos para o bem ou para o mal, cada um oferecendo à coletividade aquilo que lhe é possível dar, fez-me pensar sobre como cada um de nós, pessoas comuns, estamos servido ao todo com as nossas peculiaridades. Se (ainda) não possuímos super poderes, temos todos características inerentes; e porque não dizer que são únicas, pessoais e intransferíveis, que podem ser direcionadas às boas ou às más atitudes. Longe da perfeição; porque humanos, demasiados humanos (Salve Nietzsche!), podemos ser simplesmente bons, honestos e corretos ao direcionar nossas peculiaridades ao bem comum. A quem faça uso das suas para a corrupção, para os crimes hediondos, para os maus tratos e para outras tantas perversidades. Unamo-nos em peculiaridades do bem para sanar as peculiaridades do mal. É clichê, mas verdadeiro: a união do rebanho obriga o leão a deitar-se com fome (provérbio africano).

Veja aqui o trailer do filme.

Além da Liberdade

Em tempos de intolerância política, de excessos de convicções sem provas e de provas sem convicções; este filme de 2012, que pode ser visto no Netflix, mostra como a suavidade unida à segurança, a ternura à força, o amor à tolerância, podem fazer que uma sociedade regida por um regime militar evolua à democracia.

Ao custo de sua liberdade, Aung San Suu Kyi, por Michelle Yeoh, e da convivência com a sua família, o marido Michael Aris , por David Thewlis, e os dois filhos, Kim, por Jonathan Raggett, e Alex, por Jonathan Woodhouse; Suu ao retornar, da Inglaterra, ao seu país de origem, Birmânia, ela encontra uma sociedade atolada em chacinas comandadas por oficiais contra todos que contestam o governo, prisões de civis mantidos em condições degradantes, dentre tudo mais de humilhante que permeia um governo eminentemente militar. Líderes locais a procuram para que ela lidere o movimento pela implementação da democracia e ela aceita ao custo de sua liberdade já que passa 15 anos em prisão domiciliar.

Com suavidade, leveza, segurança, força e ternura, Suu nos ensina que violência e intolerância se reproduzidas não cessarão jamais. Inclusive, suas posturas de não-violência são determinantes para que seja vencedora do prêmio Nobel da Paz em 1991. Hoje, atua como 1ª Conselheira de Estado de Myanmar (ex-Birmânia).

Em meio a tantas intolerâncias, este filme nos traz esperança! O poder do feminino sendo transformador de uma sociedade masculinamente adoecida.

Ficha técnica:

Direção: Luc Besson
Elenco: Michelle Yeoh, David Thewlis, Benedict Wong e outros
Gênero: Biografia, Drama
Nacionalidades: França, Reino unido

 

Update: Na coluna de hoje, 18/09, Leandro Karnal discorre sobre a gentileza e do quanto ela é necessária para uma sociedade: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,gentileza-gera-gentileza,10000076501

Na TV também tem

   Nem só aos livros se limitam os assuntos literários. Com o mundo cada vez mais visual, a literatura, que não é boba, vai conquistando seus espaços no cinema, na televisão, nas mídias sociais e no que mais por aí vier, ela se adaptará para se fazer ver.
   No canal pago Globo News, há um programa chamado Literatura em que são discutidas novas e antigas publicações, fala-se com os autores, exibe as novidades. O cenário, quase sempre, alguma livraria, biblioteca, um ambiente que remete ao mundo literário e para onde dá vontade de se transportar para estar ao lado do apresentador Edney Silvestre que, apesar de fazer vista aos olhos, não rouba a cena dos entrevistados. Aliás, ele mesmo tem algumas publicações, dentre as quais indico: Se eu fechar os olhos agora e Vidas provisórias. Aqui neste link http://globosatplay.globo.com/globonews/globonews-literatura/ você poderá ver alguns episódios e se inteirar das novidades literárias.
   Já em canal aberto, a TV Cultura exibe aos domingos, 22h, o programa Café Filosófico. Sempre conta com a presença de algum escritor, filósofo, estudioso, psiquiatra que tratará de um assunto ligado aos anseios e angústias individuais paralelamente a algum livro que trate sobre o mesmo tema. Aqui http://www.institutocpfl.org.br/cultura/videoteca/ há alguns dos vários programas. E no YouTube também se encontram vários episódios e trechos de interessantes palestras.
   Seja com um livro ou na presença de uma tela, a literatura pode te alcançar; te abraçar; te fazer viajar, pensar, meditar. Receba esta visita!