Prata da casa
Diários de Viagem, por Masumi Ota Yida
Masumi publicou seus diários de viagem na revista Roteiro. Vejam aqui: diarios-de-viagem-por-masumi-ota-yida
Agora, disponibilizados em nosso site, certamente servirão de inspiração para muitas outras viagens!
São eles:
- Jardins da Alsácia – Jornada enogastronômica de 20 brasilienses na região mais alemã da França
- Na rota dos Vinhos – Na segunda etapa de sua viagem pela Alsácia, grupo brasilense experimenta aromas e sabores inesquecíveis
- Na terra do champanhe – Na etapa final de sua viagem de duas semanas pelo norte da França, grupo de brasilienses chega a Reims
- Aromas e sabores inesquecíveis – Um breve relato da viagem enogastronômica e cultural ao sul da França organizada pelo Club do Taste-vin de Brasília
- Pequenos Frascos, grandes Perfumes – Na francesa Galimard, você mesmo é o alquimista
- Festa de Babette – A maratona gastronômica de 24 brasilienses, durante duas semanas, pelo Vale do Loire, com seus castelos, igrejas medievais, vinhedos e paisagens idílicas
- Redescobrindo Portugal – Um roteiro percorrido de carro, com paradas em restaurantes frequentados por portugueses
- Na terra do foie gras – Dezesseis dias dedicados aos prazeres da mesa no sudoeste da França, onde a famosa iguaria está presente em quase todos os cardápios
- Na terra do foie gras (2) – Na segunda etapa de sua maratona gastronômica pelo sudoesta da França, brasilienses vivem a experiência mais curiosa da viagem: o preparo da famosa iguaria

Masumi, em foto do diário Pequenos frascos, grandes perfumes. Revista Roteiro.
MEMÓRIA – crônica de Vera Correa
SENHORA DO TEMPO
MEMÓRIA
Ao envelhecer, ganhamos muito. Na maioria das vezes, ganhamos leveza perante a vida, estabilidade financeira e emocional, ganhamos quilos, tolerância com nossas deficiências e as dos outros, consciência de que as aflições passam.
E perdemos muito: perdemos agilidade, cabelos, joelho, tolerância para barulhos, disposição para sair de casa. Ah, desculpem, essa sou eu. Nem todo mundo é assim.
Uma perda é certa: a da memória. Se bem que tem gente que desde nova não guarda fatos, nomes, circunstâncias, fisionomias e lugares, e se mete em grossas trapalhadas a vida inteira.
Por exemplo, amiga ainda jovem conta que recentemente se encontrou com alguém de quem não conseguia se lembrar totalmente. Para piorar a estranheza do encontro, a pessoa a chamava de Cristina. Minha amiga chegou a falar: “Provavelmente você me confunde com outra, não sou Cristina.”
Ao relatar o fato ao marido, ouviu dele: “Mas você É Cristina! Ana Cristina!” “Oooooooh, sou mesmo! No colégio todo mundo me chamava de Cristina! Ela deve ser do meu tempo de escola. E agora? Passei por louca! Ou metida.”
Hoje em dia, umas amigas dizem que só contam um caso em grupo: uma lembra o onde, outra o quem, outra lembra o como. E assim, de retalho em retalho…(Olha só, lembrei, isso é trecho de música que Nelson Gonçalves cantava na década de 1950.) Mas voltemos ao assunto, antes que ele se perca nos desvãos do cérebro já se desintegrando…
Tudo tem suas vantagens. Outro dia, reunidas depois do tênis, precisando preencher um formulário pela internet, uma amiga menos experiente em tecnologia pediu que uma colega a ajudasse. Na hora dos dados de cartão de crédito e senha, a favorecida os passou em voz alta, sem se importar que as amigas ali ao redor da mesa ouvissem. Diante do espanto de algumas, falou: “Ah, bobagem, ninguém vai guardar mesmo…”
Se algumas vezes rimos dessas peças que a memória nos prega, no mais das vezes ficamos inutilmente irritados. Pra quê? Em lugar de nos aborrecermos, que tal adotarmos rituais, medidas, rotinas e objetos amigáveis? Por exemplo, algumas providências que tenho tomado:
– escolher um gancho, uma gaveta, enfim, um lugar certo para deixar a bolsa quando chego a casa;
– prover o celular de capa espalhafatosa, personalizada, de forma a ser facilmente encontrado (Steve Jobs deve se revirar na tumba com esta sugestão: exigiu meses de trabalho da sua equipe até encontrar o elegantíssimo branco Apple que seus aparelhos ostentam, ou ostentavam, até eu colocar uma capa e um rabicho vermelhos no meu;
– separar os remédios, em caixinhas próprias, por manhã, tarde, noite; uma amiga me conta que a “margarida” já não comporta todos os medicamentos, agora usa uma “torre”;
– usar bolsas providas de compartimentos externos, de fácil acesso, para o objeto mais usado (chave, óculos);
– para quem não use bolsa, caso de uma de minhas irmãs, adotar calças com bolsos, como os modelos cargo;
– adaptar mosquetões à bolsa (no caso, mosquetinhos) para prender chaves, celulares ou algum outro objeto;
– se troco de bolsa para ir a algum evento, na volta retornar o conteúdo para a bolsa costumeira imediatamente.
Já para fisionomias, nomes, impressão de conhecer pessoas, ou para os casos de não ter a menor noção de quem seja aquela a nos sorrir, não sei o que fazer. Talvez usarmos crachá com nome e foto. Mas, atenção, foto de tempos passados, evidentemente, daquele tempo em que ainda éramos Cristina.
Nome
Exemplo de prata da casa
