Marés

 


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Desejo a paciência

como as ondas do mar,

que a cada recuo,

um novo andar.



Mar amigo, amante,

mar ido, ficante,

o nosso gozo incessante,

tua espuma revela...



Recua meu mar soberbo

e te esconde nas brumas brancas 

para que eu, areia,  possa resplandecer

cada um dos meus grãos  cintilantes.                           



Recua meu mar grandioso

e me deixa ouvir o som

do teu desabar constante,                 

para que eu, areia,  possa acalentar

todos os que se sentam em mim

e meditam inebriados com o teu recital.                                       


Quando  te ausentas,

sonho castelos;  

acordo ventania,

louca, ensandecida

por não aguentar a espera…

                                     

Mas sempre voltas, 

fazendo  rendas 

pra me enfeitar....

E, rendada, rendida, risonha

me abro para te amar...  

 
Volta, meu mar amante,

a cada fim do dia

para que eu, areia, me junte a ti 

sem o menor temor de desaparecer!

 

Queria trazer-te as pérolas mais lindas

para bordar na tuas rendas,

Queria lamber todas as tuas fendas,

e conhecer os castelos dos teus sonhos,

 

Mas, amiga, amante, tenho que ir...

ainda que queira ficar...

e nas idas e vindas, vivo,

pela certeza de sempre te encontrar...

 

Vem e volta, mar bravio,

leva contigo o fastio

dos dias sem qualquer calor.

 

Traz de volta a melodia

de tuas vagas, noite e dia,

suaves como o langor

de meus castelos, areia,

banhados por lua cheia

resplandecente em fulgor,

 

que vara a noite toda

para morrer na alvorada

de tua espuma espraiada

em mim, areia esbranquiçada,

vestida de só uma cor.

 
                              Brasília, agosto/2016

Rosete, Soniahelena, Teresa Mury e Teresa Lirio

 

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