Vera Correa – Reconciliação

 

Dia das Mães chegando.
Esther Lucio Bittencourt me lembrou deste escrito, publicado no Primeira Fonte há alguns anos.

Reconciliação

Por Vera Guimarães

Eu tinha quase oito anos e bastante confusão no coraçãozinho de menina. O pai, carinhoso e amável, mas desprovido das armas para os embates da vida, acabou cedendo a chefia da família para a mãe, valente e decidida, que abriu uma pensão para sustentar a família numerosa.

Eu não sabia direito a quem amar, se à provedora inflexível, se ao pai que tentava passar despercebido, mas sempre presente nas queixas da mãe.

E acabei achando que à mãe só devia respeito e gratidão, que ali não havia espaço para amenidades, para os supérfluos e os gestos de carinho.

Foi, pois, motivo de surpresa e encantamento o par de brinquinhos que minha mãe me deu naquele aniversário. Eles eram miúdos, feitos de ouro polido e martelado, em forma de caixinha redonda, com uma pequena pedra vermelha.

Eu não me cansava de olhar para eles. E entendi que, por trás e apesar das contas no armazém e da lida no tanque e no fogão de lenha, ainda havia espaço no coração de Mamãe para a poesia de uns brinquinhos comprados a prestação.

2 comentários sobre “Vera Correa – Reconciliação

  1. Entre muitos comentários publicados no Facebook, destaco o de Maryse Scianni:
    “Eu penso que seu texto vai fazer bem a muitas mães e a muitos filhos também. Aos filhos porque, claro, eles sempre tem um olhar um pouco critico sobre a mãe e as vezes podem manifestar esta impressão de que a mãe não era bastante carinhosa, não pegava no colo, não beijava!
    Ás mães, porque sua história, com toda a delicadeza, mostra claramente a realidade e o sacrificio de tantas mulheres fortes na sua luta diaria dentro de casa e no trabalho”.

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