Academia

Por Inocência M. Mota

Sinceramente, fazer academia não me atrai. Ficar suando, levantando peso, chorar repetições não é, decididamente, cardápio que goste de consumir. Fazer coisas necessárias, embora não prazerosas, é um, entretanto já incorporado na minha vida.  Por isso, segunda, quarta e sexta lá estou numa sala repleta de malhadoras suando, e eu quase me arrebentando.

Posiciono-me bem atrás, inicialmente com o objetivo mesmo de me esconder. Hoje, a necessidade de me manter invisível desapareceu, mas o lugar cativo permanece.  De lá do meu quadrado, olhar as malhadoras é um estímulo.  Elas não são malhadoras, são malhadas. Todas com o corpo “tudo em cima”.

Observar aquele ballet é bom. Sincronia e determinação, embora umas carreguem dez quilos, outros se esforçam com apenas um.

Fundamentada em Lavoisier, vou copiando uma ou outra malhadora. Não sei olhar no espelho, mas isso é importante, algumas me asseveram. Cheguei à conclusão que sim, e resolvi aprender a enfrentá-lo.

Sobre o colchão, fazendo exercícios para glúteo e pernas, escolho “uma menina”, extraída de dentro do espelho, para acompanhar os movimentos. Pareceu-me que estava fazendo tudo certinho. Decidi segui-la.

Meus pensamentos, viajantes velozes e inconsequentes, vieram e me levaram dali. Quando voltei e encarei a malhadora que estava seguindo, observei que “a menina” fazia tudo errado, em grande afronta ao ballet orquestrado. Tenho que optar por outra, pois essa daí não dá não.

E, entre a alternância dos movimentos, tentando eleger quem eu deveria seguir, percebi para meu desencanto, que “a menina” que fazia tudo errado era nada mais nada menos do que EU MESMA.

Não ria. Essa escolha ocorreu apenas entre duas gotas de suor.

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