A doce canção de Caetana- Nélida Piñon

Zona de meretrício: uma privação do direito à cidade

 

Partindo de uma área de atuação em arquitetura e urbanismo, a leitura de “A doce canção de Caetana” despertou meu interesse sobre a delimitação urbana da zona de meretrício e sobre como a prostituição está relacionada ao disciplinamento do espaço urbano. Lembrei inicialmente da minha pequena cidade, Erechim/RS, onde havia uma área exclusiva para a prostituição, com construções ligadas somente ao comércio do sexo.

Reuni algumas notas sobre o assunto, de âmbitos urbanos, sanitários, policial, político.

Uma zona de meretrício é uma região, quarteirão, rua ou bairro de uma cidade conhecido por abrigar a prostituição. Zonas de meretrício costumam ter bordéis, prostíbulos, cabarés, bares, boates, casas noturnas e outros estabelecimentos semelhantes.

Popularmente, o termo zona é usado como sinônimo de desordem, bagunça, desorganização. No urbanismo, no entanto, trata-se do contrário. A cidade tem um Plano Diretor Urbano para nortear como deve ser seu crescimento e funcionamento, garantir a qualidade de vida dos moradores, definir áreas de proteção ambiental e critérios para a instalação de atividades econômicas ou grandes empreendimentos. Para a execução eficaz do disciplinamento do espaço urbano, a geografia urbana separa os espaços em zonas, delimitando determinadas atividades a cada um deles.

Aqui, a zona aparece como alternativa para retirar as prostitutas das ruas e deslocar as casas de prostituição que estavam no centro e nos bairros “familiares”. A criação de um espaço específico para a prostituição é vista como forma de delimitar o uso dos espaços, de criar fronteiras simbólicas para não confundir o espaço das famílias com o espaço da “sexualidade desregrada”. As prescrições de gênero determinavam os locais apropriados para circulação de homens e mulheres – ou seja, foi uma prática de “limpeza”.

A prostituição foi considerada um problema urbano no Brasil desde o século XIX. O debate sobre saúde pública, higienização e modernização colocou o meretrício como alvo das medidas saneadoras implantadas pelas reformas urbanísticas. A ideia sanitarista de controle da prostituição visava reduzir as doenças venéreas e impunha a delimitação de um espaço para abrigar o meretrício na cidade. As casas de prostituição espalhadas em vários bairros da cidade dificultavam um controle sanitário eficaz. A zona enquanto um espaço circunscrito e tolerado pelo poder público e judiciário, implicava na possibilidade de uma fiscalização maior das atividades, das instalações das casas, boates e das prostitutas.

Além do controle médico e urbano, houve um controle policial da área. A zona do meretrício, com pleno conhecimento e tolerância das autoridades administrativas e da sociedade local, não se caracterizava como delito de casa de prostituição.

Como consequência do controle espacial, moral, sanitário, etc., a sobreposição das funções de trabalho e moradia no interior dos prostíbulos impuseram limites rígidos às profissionais do sexo em relação ao uso do espaço público. Os territórios exclusivos de prostituição se tornaram rapidamente espaços de segregação urbana, e a sua localização num bairro distante do centro e das residências de famílias confinou a prostituição em guetos.

As zonas confinadas contribuem para a marginalização e a estigmatização do trabalho da prostituta. Estes espaços homogeneízam sua estrutura, facilitando ações de cunho opressor às mulheres prostitutas. Além disso, isoladas em um bairro no qual vivem, essas mulheres não se relacionam com a diversidade urbana encontrada nos outros locais da cidade: seu direito à cidade é constantemente violado, impedindo-as de se apropriarem da cidade como cidadãs, sendo confinadas a circular, morar e trabalhar em uma área isolada.

Se ampliássemos um pouco mais o assunto das zonas de meretrício, ele se insere em um contexto de várias teorias sobre higienização das cidades, colocadas em prática de forma generalizada. Temos o famoso caso das reformas de Georges-Eugène Haussmann em Paris (1853), que influenciou grandes mudanças no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Outro exemplo de destaque é a atuação de Robert Moses em Nova Iorque.

 

 

Fontes;

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2015/09/itatinga-e-unico-bairro-planejado-para-prostituicao-no-pais-diz-pesquisadora.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Zona_de_meretr%C3%ADcio

Clique para acessar o Diana%20Helene.pdf

 

 

 

 

A amiga genial, Elena Ferrante – 10/08/2017

 

 

 

Nome: A amiga genial
Autor: Elena Ferrante
Ano: 2015
Data do encontro: 10/08/2017
Apresentação por: Suely e Masumi

O livro foi apresentado por Suely e Masumi, mas já antes da reunião contamos com as contribuições preliminares de Vera e Andreia que nos enviaram os links de uma matéria sobre o livro publicada no jornal  Folha de São Paulo.

A Amiga Genial, Elena Ferrante – 10/08/2017 – Contribuições preliminares

Suely, a aniversariante do mês , iniciou o debate sobre o livro com a biografia da escritora. Elena Ferrante é o pseudônimo da escritora, que não se sabe de quem se trata, se seria um homem ou se seria uma tradutora de livros. Sabe-se que o escritor/escritora escreveu uma tetralogia, cada livro em um ano, o primeiro sendo em 2011. A Amiga Genial, Historia do Novo Sobrenome, História de Quem Vai e de Quem Fica, Historia da Menina Perdida. No entanto, apesar de todo este mistério, sua obra foi traduzida em várias línguas e teve um enorme sucesso.

A Amiga Genial relata a história de duas amigas que residem num bairro pobre de Nápoles, no final da II Guerra Mundial, em 1944. Retrata a vida difícil das pessoas, com seus conflitos: a violência, o machismo, o assassinato, a infidelidade, a loucura, as brigas de adolescentes, a vida escolar, os castigos físicos nos alunos, o amor, o ódio, a inveja, o poder do dinheiro, a influência da Camorra, o Comunismo, o Fascismo, a guerra.

Durante a Roda de Fogo, discutiu-se o mistério em torno da figura do escritor/escritora. Muitas leitoras defendendo ser uma mulher a escrever com tantos detalhes todos os casos relatados.

A inveja foi muito debatida, por causa da relação entre as duas amigas. Lenu vivia à sombra de Lila, a quem admirava e invejava pela sua inteligência e capacidade de estudar sem estar na escola.

O registro da reunião feito por Masumi  com as fotos do encontro pode ser visto clicando aqui. 

A Morte de Ivan Ilitch

 

 

 

Nome: A Morte de Ivan Ilitch
Autor: Lev Tolstói
Tradução: Boris Schaiderman
Ano: 1886
Data do encontro: 01/06/2017
Apresentação por: Márcia Amorim, Renilda e Cris Monclaro

Um pequeno resumo da história da Rússia na época em que foi escrito o livro podemos ver no video abaixo:
https://vimeo.com/user55719366/review/314064326/10eba05fa4

Fotos de Regina Moura na casa de Tolstoi:

Para ver as fotos do encontro:https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/06/07/a-morte-de-ivan-ilitch-fotos-do-encontro/

 

Incidente em Antares: Erico Verissimo

Erico Verissimo, um “contador de histórias”

Erico Lopes Verissimo nasceu em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, no dia 17 de dezembro de 1905. Filho de Sebastião Verissimo da Fonseca e de Abegahy Lopes, pertenceu a uma família rica e tradicional, que perdeu tudo no começo do século.

Estudou no Colégio Venâncio Alves, em Cruz Alta. Com 13 anos já lia autores nacionais como Aluísio Azevedo, Joaquim Manuel de Macedo, Coelho Neto, e também autores estrangeiros como Dostoievski e Walter Scott. Em 1920 foi para Porto Alegre, estudou no extinto Colégio Cruzeiro do Sul (hoje Colégio IPA), um internato de orientação protestante.

Em dezembro de 1922, quando seus pais se separaram, voltou para Cruz Alta e abandonou os planos de cursar uma universidade. Erico, sua mãe e seus irmãos passaram então a morar na casa dos avós maternos.

Em 1925, trabalhou no Banco Nacional do Comércio. Em 1926, tornou-se sócio de uma farmácia. Dava aulas de literatura e inglês. Em 1929, começou escrevendo contos para revistas e jornais. Em 1930, a farmácia foi à falência. Desempregado após a falência de sua farmácia, em dezembro de 1930, Erico mudou-se novamente para Porto Alegre, disposto a viver de seus escritos. Foi contratado para o cargo de secretário de redação da Revista do Globo, onde conviveu com escritores renomados como Augusto Meyer, Guilhermino César e Mário Quintana.

Em 1931, casa-se com Mafalda Halfem Volpe, com quem teve dois filhos:  Clarissa Verissimo e o também escritor Luis Fernando Verissimo. Em 1932, foi promovido a Diretor da Revista do Globo e atuou no departamento editorial da Livraria do Globo.

1933 foi o ano em que lançou seu primeiro romance, “Clarissa”.

Seu primeiro livro infantil foi lançado em 1936 com o título de “As Aventuras do Avião Vermelho”. Em seguida, o autor criou um programa infantil na Rádio Farroupilha com o nome de “Clube dos três porquinhos”.

Em 1941, Erico Verissimo foi para os Estados Unidos em missão cultural, a convite do Departamento de Estado americano.

Temendo a ditadura do governo Vargas, em 1943, foi lecionar literatura brasileira na Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Em 1947, já de volta ao Brasil, Verissimo começou a escrever a trilogia que marcou sua carreira: “O Tempo e o Vento”. O escritor queria contar a história do Rio Grande do Sul e a dividiu em três obras: “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago”. A trilogia, inclusive, virou novela na extinta TV Excelsior em 1967 e, em 1985, minissérie na TV Globo. “Olhai os Lírios do Campo” também ganhou uma adaptação nos anos 80 pela TV Globo, assim como “Incidente em Antares”, em 1994. (Filme completo em: https://www.youtube.com/watch?v=jPBfu7QT_cI)

Em 1953, ocupou o posto de Diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana. O registro de suas viagens foi descrito nos livros “Gato Preto em Campo de Neve” e “A Volta do Gato Preto”.

Erico tornou-se um dos raros escritores que passou a viver somente da literatura que produzia. O escritor morreu em 1975, em decorrência de um enfarte.

Prêmios e títulos:

  • Prêmio Machado de Assis, da  Editora Nacional, em 1934, por “Música ao longe”
  • Prêmio Fundação Graça Aranha por “Caminhos cruzados”
  • Título Doutor Honoris Causa, em 1944, pelo Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil
  • Prêmio Machado de Assis, em 1954, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra
  • Título de Cidadão de Porto Alegre, em 1964, conferido pela Câmara de Vereadores daquela cidade
  • Prêmio Jabuti– Categoria Romance, da Câmara Brasileira de Livros, em 1965, pelo livro “O senhor embaixador”
  • Prêmio Intelectual do Ano (Troféu Juca Pato), em 1968, concedido pela Folha de S. Paulo e pela União Brasileira de Escritores

 

Curiosidades

Erico costumava fazer open house aos sábados. As pessoas iam chegando e ele e Mafalda ficavam disponíveis para conversas até tarde da noite.

Em algumas circunstâncias, ao autografar um livro, ele desenhava um anjinho ao lado da assinatura. Este tipo de gesto levou Mafalda a colecionar pequenas imagens de anjinhos.

Após sua morte, Carlos Drummond de Andrade publicou um poema chamado “A Falta” em sua homenagem.

 A Falta de Erico
(Carlos Drummond de Andrade)

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de Sexta-feira
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

 Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda – como tarda!
a clarear o mundo. 

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente,
falta o casal passeando no trigal. 

Falta um solo de clarineta.

 

Considerava a si mesmo como o melhor escritor da rua Felipe de Oliveira em Porto Alegre, onde morou no número 1415 por 35 anos.

Era avesso a homenagens: “Falando com franqueza, eu não quero ser estátua. Só os passarinhos é que sabem tratar os monumentos com naturalidade”.

 

Uma amizade perfeita

A forte amizade entre Clarice Lispector e o casal Mafalda e Erico Verissimo levou a escritora a convidá-los oficialmente para serem os padrinhos de seus filhos, Pedro e Paulo, três anos após o nascimento do segundo. Não é sem razão que Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice, reconhece os Verissimo como avós e os melhores amigos de sua mãe.

Carta de Clarice
De: Clarice Lispector
Para: Mafalda Verissimo, Erico Verissimo
Washington, 7 de setembro de 1956,
Sexta-feira, 10 horas a.m.

Prezados senhor e senhora Erico Verissimo,

Como é do conhecimento dos senhores, meu marido e eu, não tendo infelizmente religião (por enquanto), criamos nossos filhos na ideia de Deus, mas sem lhes dar rituais definitivos, e à espera de que eles próprios mais tarde se definam.

Tendo terminado com algum esforço frase tão comprida, venho ao assunto principal que é o objetivo emocionado desta carta. Desejo perguntar-lhes se acreditam na possibilidade de padrinhos leigos. Eu acredito. No caso do senhor E e da senhora Fal também acreditarem, esta carta os convida, em nome de uma amizade perfeita, a serem padrinho e madrinha de Pedro e Paulo. A condição única é continuarem a gostar deles.

No caso dos senhores não aceitarem, no hard feelings. Mas a verdade é que, por três anos, vocês têm sidos os padrinhos deles, por tácito, espontâneo e comum acordo. Restaria apenas legalizar uma situação que aos poucos estava se tornando escandalosa.

Se eu disser que a ideia já me havia ocorrido mais de uma vez, os senhores hão de duvidar. Pois acreditem. Quando o senhor E. Verissimo aventou a hipótese, meu coração se rejubilou, e, quando o digo, não estou brincando.

Aí pois fica o nosso convite. A resposta deverá ser dada antes do embarque, pois, em caso de uma afirmativa, quero anunciá-la às crianças.

Na esperança do convite ser aceito, ouso assinar
Comadre Clarice

(sempre tive secreta inveja da comadre Luísa)[1]

Clarice Lispector. Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p. 209.
[1] N.S.: Luísa Bertaso, mulher de Henrique Bertaso, era madrinha de Clarissa Verissimo, filha de Erico e Mafalda, e por isso conhecida como “a comadre”.

 

Curiosidades sobre Incidente em Antares

Erico manteve um diário registrando os progressos do Incidente quando estava na casa da Clarissa em Van Ness Court. Pretendia incluir uma criança entre os mortos, mas foi desaconselhado pela Mafalda.

O livro foi escrito durante o auge da ditadura militar, sob o regime da Censura Prévia. Para fazer a denúncia do caráter discricionário do governo, Erico deslocou a história para antes de 64, de modo que não poderia ser acusado de estar denegrindo o novo regime. Mas inventou, para o delegado de Antares, as mesmas técnicas usadas nos porões do DOPS.

Algo que o preocupava era a capa do romance. Insistia com o editor que queria um pôr do sol muito vermelho sobre o perfil de Porto Alegre. Não houve jeito de fotografar a cidade do ângulo adequado para o poente. Depois de várias sugestões, a capa final foi desenhada dando figura ao que ele queria: o sol da peste.

Quando o livro ficou pronto, o receio de todos era que fosse apreendido pela Polícia.  Então o editor colocou nas vitrinas da Globo um cartaz com a capa e os dizeres: “Numa ditadura este livro seria censurado”. Ninguém se atreveu a contestar a frase e os exemplares saíram como pães quentes. De medo que logo fosse impedido de circular.

 

Pesquisa realizada nos sites:

Wikipedia
e-biografia
Museu Erico Verissimo
Consulta a Maria da Glória Bordini, Acervo Literário Erico Verissimo

Incidente em Antares: Aspectos Literários

 

Por Vera Correa

MODERNISMO

O Modernismo foi um movimento cultural, artístico e literário da primeira metade do século XX.
Na literatura brasileira, teve como marco inicial a Semana de Arte Moderna, em 1922, marcado pela efervescência de novas ideias e modelos.
O Modernismo surge num momento de insatisfação política no Brasil, com reflexo no campo das artes, daí a motivação para romper com o tradicionalismo.

Características do Modernismo

  • Libertação estética.
  • Ruptura com o tradicionalismo.
  • Experimentações artísticas.
  • Liberdade formal (versos livres, abandono das formas fixas, ausência de pontuação).
  • Linguagem com humor.
  • Valorização do cotidiano.

Fases do Modernismo

Primeira Fase do Modernismo (1922-1930)

Conhecida como a “Fase Heróica”, radical, publicação de revistas e manifestos e formação de grupos.

Segunda Fase do Modernismo (1930-1945)

Chamada de “Fase de Consolidação”, momento caracterizado por temáticas nacionalistas e regionalistas com predomínio da prosa de ficção.

É um momento de amadurecimento.

Terceira Fase do Modernismo (1945- 1980) ou até os dias atuais.

Diversidade: prosa urbana, regionalista, intimista.

 

PRINCIPAIS AUTORES

  • Oswald de Andrade (1890-1954)
  • Mário de Andrade (1893-1945)
  • Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
  • Rachel de Queiroz (1902-2003)
  • Jorge Amado (1912-2001)
  • Erico Verissimo (1905-1975)
  • Graciliano Ramos (1892-1953)
  • Vinícius de Moraes (1913-1980)
  • Cecília Meireles (1901-1964)
  • João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
  • Clarice Lispector (1920-1977)
  • Guimarães Rosa (1908-1967)

 

ERICO VERISSIMO: FASES LITERÁRIAS

Romance Urbano

Retrato da vida da pequena burguesia por meio de uma visão lírica, crítica, com linguagem tradicional e otimismo. As principais obras desta época são “Caminhos Cruzados”, “Clarissa” e “Olhai os Lírios do Campo”.

Romance Histórico

Sua grande obra dessa fase, a trilogia “O Tempo e o Vento”, retratou duzentos anos de formação do Rio Grande do Sul.

Romance Político Os livros dessa fase retratam o período da ditadura militar, o autoritarismo e as violações dos direitos humanos. As obras destaque são “O Senhor Embaixador” e “Incidente em Antares”.

 

INCIDENTE EM ANTARES

De 1971, último romance de Erico Verissimo.  Modernista.  Claramente político. Panorama sócio-político do Brasil contemporâneo.

Foco narrativo
Terceira pessoa, narrador onisciente e onipresente. Porém há intercalação de outros supostos narradores.  Simulação de transcrições de pseudo-autores.

Linguagem/Estilo
Mescla de ficção e história. Sarcasmo, espírito crítico, ironia,  caricatura de pessoas e instituições. Criação de termos com radicais gregos e latinos. Erudição – citações e referências. Poucos regionalismos.
Referência a teatro clássico. “A sátira menipéia é um gênero literário surgido ainda na Roma antiga, com autores como Luciano de Samósata (125-181). Alguns dos traços fundamentais da sátira menipéia são: o humor, a presença de mortos que se dirigem aos vivos, o tom filosofante e mudanças constantes de tom narrativo.” Coro.

Aspectos temáticos
Políticos – narrativa de mais de 100 anos. Nacionalismo, populismo, corrupção. Política desenvolvimentista, instalação do parque industrial.  Formação de classe operária, lutas por salários, organização sindical. Repressão. Ditadura. Tortura.
Sociológicos – Antares como símbolo da sociedade brasileira. Conservadorismo. Patriarcalismo. Machismo. Preconceito e desprezo pelos pobres e diferentes. Religião tradicional fazendo vista grossa para desmandos e injustiças. Moralidade de fachada. Mercantilismo da medicina.

Grupos de personagens

Classe abastada e conservadora. Mulheres submissas (maioria). Esquerdistas. Ralé. Favela.

 

Se quiseres saber mais sobre Incidente em Antares veja em:

http://www.passeiweb.com/estudos/livros/incidente_em_antares

http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/incidente-em-antares.html