O VII ITF Seniors de Brasília foi realizado no Iate Clube entre os dias 17 e 22 de abril.
Parabéns para nossas colegas leitoras, a campeã Teresinha Acioly (simples e duplas) e Advany Santos que foi vice campeã na modalidade de duplas. 



O VII ITF Seniors de Brasília foi realizado no Iate Clube entre os dias 17 e 22 de abril.
Parabéns para nossas colegas leitoras, a campeã Teresinha Acioly (simples e duplas) e Advany Santos que foi vice campeã na modalidade de duplas. 



I Guerra Mundial 1914/1918
Conferência de Paz em Paris
Tratado de Versalhes
Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes – 28 jun 19
A minha participação neste encontro será conversar um pouco sobre o Tratado de Versalhes.
O Tratado foi o documento elaborado pelos países em guerra combinando o seu final e quais seriam as obrigações que caberiam a cada Estado beligerante.
Como se inicia e se encerra uma guerra
Um adágio diz que “todos sabem como começa uma discussão, mas ninguém sabe como ela vai acabar”. É o caso de uma guerra!
O seu início é:
– Declaração formal de Guerra motivada por interesses político-estratégicos e/ou econômicos (conquista de novos mercados, rotas comerciais, expansão territorial, busca de matérias primas, etc.)
Ela acaba quando:
– É feito um Acordo de Paz (quebra da vontade de lutar do adversário por falência de sua estrutura política e incapacidade de reação de suas forças militares).
Até hoje há países tecnicamente em guerra como as Coreias do Sul e do Norte, v.g.
O Tratado de Versalhes tratou disso.
Participantes
– Vencedores da I Guerra Mundial (Grã-Bretanha, França, Rússia, Itália, Japão e EUA) X Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Império Otomano e Bulgária.
– Assinaram 32 nações. As principais foram:
Alemanha, Chanceler Hermann Müller;
França,1º Ministro Clemenceau;
Grã-Bretanha, 1º Ministro Lloyd George,
EUA, Presidente Woodrow Wilson
Falando um pouco de cada envolvido sem entrar em muitos detalhes:
Tríplice Aliança
– Império Alemão (Reich) – Nação proeminente, envolvia as demais por suas atitudes hegemônicas e expansionistas.
– Império Austro-húngaro – sob forte influência do Reich, pivô do início do conflito por ter seu herdeiro, Príncipe Francisco Ferdinando, sido assassinado na Sérvia.
– Itália – retira-se da Aliança, antes da guerra, por não concordar com a decisão do Império Austro-Húngaro de invadir a Sérvia.
Tríplice Entente
– França – maiores prejudicadas, a França e a Bélgica, palcos das batalhas de Guerra de Trincheiras, tiveram o supremo desgaste humano, sua infraestrutura destruída e quase 2 dos 10 milhões de vidas perdidas entre militares e civis. Principal motivo pelo qual a França era menos complacente na formulação das imposições feitas pelo tratado aos derrotados. Escolheu o mesmo Palácio do Acordo de 1871 (Guerra Franco-Prussiana) quando a França teve que ceder a Alsacia e a Lorena para o Império Alemão.
– Império Britânico – vinha do período vitoriano para uma gestão menos progressista com Eduardo VII. As potências europeias primavam pelo rearmamento e a busca de novos mercados mundiais e matéria prima. Era latente o receio da competição desenvolvimentista com a Alemanha. O Reino Unido tinha o maior poder naval europeu e buscou acordos defensivos com a França, e a Rússia formando a Tríplice Entente.
Estados Unidos
Despontando como uma liderança mundial, os EUA mantiveram-se, enquanto puderam, em sua zona de conforto adotando uma política de “Portas Abertas”, priorizando seus interesses econômicos, mas favorecendo a Tríplice Entente.
Com a saída da Rússia do conflito, a possibilidade do avanço alemão sobre o território francês e o ataque alemão aos navios americanos, os EUA declararam guerra à Tríplice Aliança.
O papel do Presidente Woodrow Wilson para o final do conflito mundial – proposta dos “Quatorze Pontos”. Propunha as bases para a paz com a reorganização das relações internacionais ao fim da Primeira Guerra Mundial, e o pacto para a criação da Sociedade das Nações. Advogava uma “Paz sem Vencedores” com sanções mais amenas aos vencidos. A França foi irremediavelmente contra.
O Congresso americano não ratificou o Tratado de Versalhes e os EUA, posteriormente assinaram acordo em separado com a Alemanha.
Fim do Conflito Armado
Os seguintes acontecimentos aceleraram o encerramento da já longa guerra (1914/1918):
Entrada dos EUA na guerra; toda a potente indústria americana a favor e seu efetivo militar;
Saída da Rússia (Revolução Bolchevista de 17); forçou a decisão estratégica americana em participar do conflito;
Abandono do Kaiser e o controle dos militares; reconhecimento da incapacidade de permanecer combatendo o adversário;
Situação econômica frágil dos beligerantes e consequente instabilidade interna principalmente dos Impérios Centrais e o
Extremo sacrifício e perdas humanas.
Assim foi assinado o Armistício de Campiège, em 1918 firmando o fim do combate.
Principais condições impostas pelo Tratado de Versalhes
– Responsabilidade única da Alemanha por todas as perdas e danos.
– Cessão territorial para vizinhos (França, Bélgica, Dinamarca, Polônia e Checoslováquia, entre outros) e perda de todas as colônias de além mar.
– Reparações de guerra (indenização de 33 Mi US$, ou 132 bilhões de marcos – cifras finais). Em 2010 foi paga a última parcela de 70 milhões de euros (R$ 162,6 milhões) encerrando uma história que durou quase 100 anos
– Manutenção da supremacia militar (Exército reduzido), exigência de governos democráticos com o banimento das tradicionais elites reais.
Ambiente pós-guerra
Como consequência:
– A República de Weimar surge pela entrega do poder da elite militar alemã ao Partido Democrata que assume os ônus de negociar a paz. Após período de instabilidade seguindo um curto período de relativa estabilidade, a crise econômica mundial (Crise de 1929) dá margem aos grupos insatisfeitos de encontrarem o melhor terreno para sua expansão e a possibilidade do crescimento do Partido Nazista.
– As imposições do tratado de Versalhes foram consideradas inaceitáveis (“Diktat”) pela direita alemã. O clima de fracasso e descontentamento do povo alemão e a humilhação contribuiu para a queda do governo em 1933 e ascensão do nazismo (Hitler) e criando condições para a eclosão da II GM
– Liga das Nações (abril de 1919 a 1946) precursora da ONU, foi criada no Tratado de Versalhes para arbitrar disputas internacionais e evitar futuras guerras. O sonho americano era a sua possibilidade de negociar Acordos de Paz entre seus participantes.
– Foi o fim da hegemonia do capitalismo e o início do socialismo sendo colocado em prática. Época de tensões sociais e políticas agravada com a ”Grande Depressão de 1929”.
E o Brasil?
– Mesmo sendo um País agrícola e pouco industrializado, foi o único representante latino-americano a entrar na I Guerra Mundial (Declaração de Guerra em outubro de 1917).
– Participou das operações nas seguintes operações:
– patrulha naval das costas brasileiras;
– ao integrar uma missão médica no Teatro de Operações europeu;
– ao enviar aviadores da Marinha e do Exército, junto à Força Aérea Real Britânica;
– integrando uma Esquadra Naval de patrulha no Mediterrâneo e,
– formando um contingente do Exército para atuar com o Exército francês.
– Em ressarcimento às suas perdas de guerra, obteve indenização pelo café perdido em embarcações afundadas e em armazéns em diversos portos marítimos e tomou posse de cerca de 70 navios alemães apreendidos em portos brasileiros.
– Com o encerramento da Guerra e o crescimento dos movimento sociais em voga no mundo, aqui também surgiram grupos e manifestações de inspirações diversas.
Para encerrar, como curiosidades:
– A família imperial brasileira, em exílio após a Proclamação da República, fato relativamente recente à época, pertencia à Casa de Habsburg, “Casa de Áustria”, família nobre europeia, cuja dinastia foi dissolvida após IGM. Maria Leopoldina, mãe de D Pedro II, pertencia a ela.
– A OIT foi criada como parte do Tratado de Versalhes no capítulo que tratava da Justiça Social. “Paz universal e permanente somente pode estar baseada na justiça social”. Getúlio Vargas aludiu ao Tratado para a criação da CLT.
– As guerras também trazem avanço tecnológico. A pesquisa de explosivos, armamentos, comunicações, melhores equipamentos médicos e meios mais eficientes de tratamento, resultaram em novos fertilizantes, aparelhos de Raio X portáteis, absorventes cirúrgicos, lâmpadas ultravioleta, melhoria da aviação e dos meios de comunicações e, infelizmente, também novos armamentos e gases mortais. Nesta semana mesmo, vimos nos diversos noticiários o uso do Sarin na Síria, gás letal proibido em tratados e convenções internacionais.
Mário C Corrêa
Brasília, 06 de abril de 2017
O Fio da Vida, Kate Atkinson
Contribuição de Teresa Lirio para o debate de 5/04/2017
Convidada a falar sobre os aspectos emocionais, destaco inicialmente as emoções suscitadas pela leitura de um livro aberto a múltiplas interpretações. Acho que O Fio da Vida, de Kate Atkinson, desperta nos leitores a angústia diante da não compreensão e da impossibilidade de organizar os acontecimentos dentro de uma lógica racional. Podemos suportar o “não saber” e nos enriquecermos, como é o propósito dessa reunião, com suposições, imaginações e possibilidades aventadas sob os mais diversos vértices de observação. Poderemos também aderir a alguma teoria e nos convencermos de termos desvendado os enigmas dessa trama. Eu proponho ficarmos no terreno das múltiplas possibilidades procurando expandir significados a partir de olhares diversos.
Nesse sentido podemos seguir a própria autora, e considerar suas citações, na epígrafe, como fios condutores de sua motivação para escrever essa trama.
Primeira citação – Nietzsche: O tempo não é uma sequência de eventos determinados pelo evento anterior. O tempo é infinito e cíclico, portanto passível de retorno. Essa primeira citação se refere ao princípio do eterno retorno. “ Se você tivesse que viver tudo, uma e mais vezes incessantemente, o que sentiria? Recorrendo a imagem de um portal chamado “Instante”, ele descreve uma situação em que se juntam dois caminhos que duram uma eternidade: um que corre para trás e outro que corre para diante. No instante do presente, está condensada toda a eternidade; por isso é preciso nos apropriarmos de nossas escolhas e diferenciar o que vale a pena ser vivido. Não há para Nietzsche uma vida após a morte, tem que ser aqui e agora.
Segunda citação – Platão/Heráclito? “Todas as coisas se movem e nada permanece imóvel”. Ao tentar dar conta do permanente e do transitório, Platão criou muitas teorias. Mundo sensível/ mundo das ideias. Corpo/alma. Metempsicose e Reminiscência. Imortalidade da alma. Para que alguém recorde algo, é necessário que antes tenha aprendido. Aquilo que recordamos foi aprendido numa outra existência, na qual a alma contemplou as ideias. Platão afirma deste modo que a alma preexiste ao corpo e sobrevive à sua morte.
Terceira citação – E se tivéssemos a possibilidade de fazer tudo de novo e de novo até afinal fazermos certo? (A experiência como fonte de aprendizagem e transformação)
Na estória contada por Kate Atkinson, alguns “instantes”, como propunha Nietzsche, determinavam o desenrolar dos acontecimentos futuros. Mas, as situações vividas se repetiam e Úrsula podia mudar os instantes decisivos. Assim, ela parecia viver muitas vidas…
O que chama a atenção, desde o início, é a extrema sensibilidade de Úrsula. Desde bem pequena ela era diferente. Registrava o mundo sensorial nos mínimos detalhes. Pressentia os acontecimentos e tinha tal sintonia e empatia com o outro que sentia na pele as dores de quem amava. Essa mesma sensibilidade que abre para a intuição e para a comunicação sem palavras, também pode resultar na apreensão de algo da realidade que não pode ser suportado. Todos temos um escudo protetor, seja pela imaturidade na infância, seja por defesas construídas, pois a realidade pode ser intolerável, gerando cisões da personalidade. Muitos estados patológicos resultam de uma exposição a algo que foi percebido precocemente. Nesse sentido a potencialidade se transforma em adoecimento.
Úrsula seria uma pessoa de extrema sensibilidade, com intuições e capacidade imaginativa para viver em sua mente as múltiplas realidades, ou os relatos correspondiam a delírios e perturbações psiquiátricas? Ela pressentia o que iria acontecer no futuro, como um fenômeno dejà vu? Por uma vivência anterior, tipo reminiscência e metempsicose como pensava Platão? Por vidas passadas? Por algum tipo de patologia cerebral? Como um fenômeno premonitório como defende a parapsicologia? Por uma comunicação de inconsciente para inconsciente que se expressa como intuição? Ou poderia estar imaginando o que poderia ter acontecido, criando versões não vividas, de situações apavorantes ou desejadas? Tipo fantasias, sonhos? E, na tentativa de elaborar algo traumático as angústias iam e voltavam e voltavam?Podemos pensar ainda nas complicadas teorias da física quântica, nas dobraduras do tempo…
Afinal como podia viver em um tempo não linear, e em espaços múltiplos e excludentes? Viveu a segunda guerra na Alemanha ou na Inglaterra? Essas questões mantêm o suspense e deixam o leitor ligado na leitura até o fim; fazem parte da estratégia do autor, mas em minha opinião não podem ser respondidas.
Acho que a estória nos captura também por acenar com a possibilidade de fazer tudo de novo e de novo, até acertar! Como seria maravilhoso ter uma segunda chance…poder consertar, reparar, evitar os acontecimentos dolorosos…. Esse desejo, o de não ter que se haver com o irreversível e o irreparável da dimensão trágica da existência, habita em todos nós. Aprendemos a duras penas que esse é um desejo inalcançável, mas, com Úrsula essa ilusão retorna irresistível e, momentaneamente, aliviados, lhe damos as boas vindas.
Veja clicando em:
Nome: O amante japonês |

https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/02/02/fotos-do-encontro-do-dia-02022017/
CHORO E LITERATURA
O QUE SE ESCREVIA NO SÉC. XIX? QUEM LIA?
O QUE FOI O SÉC. XIX?
http://www.rio-turismo.com/historia/seculo-18.htm
http://www.rio-turismo.com/historia/seculo-19.htm
Até 1808, Colônia. Até aqui, atividade econômica centrada na agricultura e na mineração. Ensino apenas básico. Cunho religioso.
1808 – Corte portuguesa veio para Rio de Janeiro.
. Administração e serviços jurídicos
. Abertura dos portos
. Imprensa Régia
. Bandas de música junto a irmandades religiosas e a regimentos (muitos chorões se formaram em bandas)
. Criação de ensino superior
. Missões artísticas e científicas
. Crescimento demográfico
. Formação de uma classe média
. Urbanização acelerada
1821 – Retorno de D. João VI a Portugal
. Lutas populares pela independência
http://www.m.vermelho.org.br/noticia/193156-1
1822 – “Independência ou Morte!”
. Outros jornais
. Romancistas publicam nos jornais (os folhetins)
. Alfabetização cresce
. Teatro musicado/teatro de revista (C Gonzaga, A Azevedo, C Gomes, Martins Pena)
. Movimentos pela abolição do trabalho escravo
1888 – Abolição
. Substituição atividades dependentes do trabalho escravo
. Investimentos em infra-estrutura
. Novas atividades.
. Novas profissões
1889
. Baile da Ilha Fiscal
. Proclamação da República.

ESCOLAS LITERÁRIAS
ROMANTISMO
G Dias, A de Azevedo, C Alves, J Manoel Macedo, J de Alencar, B Guimarães, F Távora e M de Assis.
REALISMO e NATURALISMO
M de Assis (de novo), R Pompeia, Arthur Azevedo, A Caminha
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escolas_da_literatura_brasileira
http://m.suapesquisa.com/romantismo/principais_escritores_brasil.htm
Século em que se buscou a identidade nacional: política, literária, musical.
Foi neste ambiente que vicejou o choro, uma genuína expressão da alma brasileira.
Ontem, dia 4/12/2016, faleceu o poeta Ferreira Gullar.
de Ferreira Gullar
Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.
E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.
Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…
também
de Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?
( Ferreira Gullar )
Soniahelena iniciou sua palestra na Associação Nacional de Escritores – ANE, em 24/11/2016, com a poesia de sua autoria publicada no livro, Ofício: trovador, em 2014.
CORA CORALINA
sôniahelena
Nasci na terra de Cora,
na rua da casa de Cora.
Histórias de ruas e becos
contava-nos o meu avô,
que ia à casa de Cora.
Era amigo da casa.
Da irmã e cunhado de Cora.
Só que não havia Cora.
Tudo isto acontecia
antes de Aninha ser Cora.
Cora, conheci mais tarde,
quando eu já lá não morava.
Minha mãe é que contava
as aventuras de Cora,
as travessuras de Aninha,
os seus sonhos de rainha,
devaneio de horas vagas,
que a levaram bem distante,
na busca de novas plagas
e aventuras de alma errante.
Durante um longo tempo
dela pouco se ouvia.
O que sonhava, onde vivia,
de que mágoas padecia,
que sucessos alcançava,
o que fazia, quem amava
eram coisas não sabidas,
talvez até esquecidas,
como esquecida, também,
terá ficado Aninha,
até que num belo dia
ela retornou quietinha,
em silêncio, elegante,
sem posura nem rompante.
Voltou à casa da ponte,
bebeu da água da fonte
e, depois de estar fora,
Aninha virou doceira,
poetisa, prosadeira,
e todos souberam de Cora.