O Ciclo das Águas, Moacyr Scliar

 

 

 

Nome: O ciclo das águas
Autor: Moacyr Scliar
Ano: 1975
Data do encontro: 03/10/2017
Apresentação por: Rosete, Terezinha e Ana Brandalise

Sobre o encontro

Para ver a apresentação do livro:
O ciclo das águas

Foi apresentado um documentário de Verena Kael e Matilde Teles
O curta histórico narra a vinda das mulheres judias chamadas “polacas”que foram trazidas de várias partes do Leste Europeu como escravas brancas para o Brasil, nos séculos XIX e XX,  por cáftens judeus.  Através de entrevistas com historiadores e escritores como Moacyr Scliar, e imagens de arquivo, o documentário revela um passado polêmico e pouco comentado.

Para ver as fotos do encontro: https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/10/07/o-ciclo-das-aguas-moacyr-scliar-fotos-do-encontro/

O relato do encontro feito por Masumi:
https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/10/04/reuniao-do-dia-03102017/

Biografia do autor

Terezinha  apresentou a vida do autor, conforme texto abaixo:

Moacyr Jaime Scliar (Porto Alegre, 23 de março de 1937 — Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um escritor brasileiro. Formado em medicina, trabalhou como médico especialista em saúde pública e professor universitário. Sua prolífica obra consiste de contos, romances, ensaios e literatura infanto juvenil. Também ficou conhecido por suas crônicas nos principais jornais do país.

Biografia
Filho de José e Sara Scliar, Moacyr nasceu no Bom Fim, bairro que concentra a comunidade judaica. Alfabetizado pela mãe, professora primária, a partir de 1943 cursou a Escola de Educação e Cultura, daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio Nossa Senhora do Rosário (católico).
Em 1963, após se formar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua vida como médico, fazendo residência médica. Especializou-se no campo da saúde pública como médico sanitarista. Iniciou os trabalhos nessa área em 1969. Em 1970 frequentou curso de pós-graduação em medicina em Israel. Posteriormente, tornou-se doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Foi professor da disciplina de medicina e comunidade do curso de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Em 1965, casou-se com Ju. O filho do casal, Roberto, nasceu em 1979.

Carreira
Scliar publicou mais de setenta livros. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Américas (1989).
Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas.
Em 2002 se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo famoso romance A Vida de Pi, vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio da sua novela Max e os felinos. O escritor gaúcho, no entanto, diz que a mídia extrapolou ao tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense.
Entre suas obras mais importantes estão os seus contos e os romances O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim, este último incluído na lista dos 100 melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.

Adaptação para o cinema
Em 1998 o romance “Um Sonho no Caroço do Abacate” foi adaptado para o cinema, com o título “Caminho dos Sonhos”, sob a direção de Lucas Amberg. O filme participou dos festivais de Gramado, Miami, Trieste e outros. O filme narra a história do filho de um casal de imigrantes judeus lituanos que se estabelece no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, nos anos 1960. O jovem Mardo (Edward Boggiss) apaixona-se por Ana (Taís Araújo), uma estudante negra. Os jovens encontram no amor a força e a determinação para enfrentarem a discriminação na escola onde estudam e o preconceito entre as famílias.
Em 2002 o romance Sonhos Tropicais foi adaptado para o cinema sob a direção de André Sturm, com Carolina Kasting, Bruno Giordano, Flávio Galvão, Ingra Liberato e Cecil Thiré no elenco. O filme relata o combate à febre amarela no Rio de Janeiro, comandado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Em paralelo, é narrada a história de uma jovem judia polonesa, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas acaba por se prostituir.

Morte
Scliar morreu por volta da 1h do dia 27 de fevereiro de 2011, aos 73 anos, de falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde o dia 11 de janeiro, quando deu entrada para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia foi bem sucedida, mas o escritor acabou tendo um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 17 de janeiro, durante o período de recuperação, falecendo quase cinquenta dias depois de sua entrada no hospital. Foi sepultado em 28 de fevereiro de 2011 no Cemitério do Centro Israelita em Porto Alegre.

Academia Brasileira de Letras
Foi o sétimo ocupante da cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 31 de julho de 2003, na sucessão de Geraldo França de Lima, e recebido em 22 de outubro de 2003 pelo acadêmico Carlos Nejar.

Fonte: Wikipedia

Impressões

Por Terezinha:
Esther, seu pai Mohel (o homem que faz a cirurgia da circuncisão entre os judeus),o enigmático Mendele, o famigerado Leiser, o apaixonado Rafael, a fiel Morena, o larápio Gatinho. Uma pequena aldeia na Polônia, Paris, Buenos Aires e finalmente Porto Alegre são os ingredientes do Ciclo das Águas, que se fecha como o destino. Vida de judeus errantes que convergem ao final com sua fé, sua história e mais nada.
Na saga de Esther, a prostituta, perpassam as tragédias e as pequenas alegrias. Mulheres eram trazidas da Europa sob vários pretextos para, na verdade, se prostituírem nos cabarés da América.
A América: o sonho dourado de uns, pesadelo de outros.
Com impecável técnica literária, Moacyr Scliar conduz o leitor a muitos lugares longínquos, geralmente duros, cheios de surpresas, aventuras e desventuras.
A fé na religião que se dissolve no Ciclo das Águas.
Um livro que nos mostra faces da história do povo judaico e suas lutas pelo mundo.

A amiga genial, Elena Ferrante – 10/08/2017

 

 

 

Nome: A amiga genial
Autor: Elena Ferrante
Ano: 2015
Data do encontro: 10/08/2017
Apresentação por: Suely e Masumi

O livro foi apresentado por Suely e Masumi, mas já antes da reunião contamos com as contribuições preliminares de Vera e Andreia que nos enviaram os links de uma matéria sobre o livro publicada no jornal  Folha de São Paulo.

A Amiga Genial, Elena Ferrante – 10/08/2017 – Contribuições preliminares

Suely, a aniversariante do mês , iniciou o debate sobre o livro com a biografia da escritora. Elena Ferrante é o pseudônimo da escritora, que não se sabe de quem se trata, se seria um homem ou se seria uma tradutora de livros. Sabe-se que o escritor/escritora escreveu uma tetralogia, cada livro em um ano, o primeiro sendo em 2011. A Amiga Genial, Historia do Novo Sobrenome, História de Quem Vai e de Quem Fica, Historia da Menina Perdida. No entanto, apesar de todo este mistério, sua obra foi traduzida em várias línguas e teve um enorme sucesso.

A Amiga Genial relata a história de duas amigas que residem num bairro pobre de Nápoles, no final da II Guerra Mundial, em 1944. Retrata a vida difícil das pessoas, com seus conflitos: a violência, o machismo, o assassinato, a infidelidade, a loucura, as brigas de adolescentes, a vida escolar, os castigos físicos nos alunos, o amor, o ódio, a inveja, o poder do dinheiro, a influência da Camorra, o Comunismo, o Fascismo, a guerra.

Durante a Roda de Fogo, discutiu-se o mistério em torno da figura do escritor/escritora. Muitas leitoras defendendo ser uma mulher a escrever com tantos detalhes todos os casos relatados.

A inveja foi muito debatida, por causa da relação entre as duas amigas. Lenu vivia à sombra de Lila, a quem admirava e invejava pela sua inteligência e capacidade de estudar sem estar na escola.

O registro da reunião feito por Masumi  com as fotos do encontro pode ser visto clicando aqui. 

A Morte de Ivan Ilitch

 

 

 

Nome: A Morte de Ivan Ilitch
Autor: Lev Tolstói
Tradução: Boris Schaiderman
Ano: 1886
Data do encontro: 01/06/2017
Apresentação por: Márcia Amorim, Renilda e Cris Monclaro

Um pequeno resumo da história da Rússia na época em que foi escrito o livro podemos ver no video abaixo:
https://vimeo.com/user55719366/review/314064326/10eba05fa4

Fotos de Regina Moura na casa de Tolstoi:

Para ver as fotos do encontro:https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/06/07/a-morte-de-ivan-ilitch-fotos-do-encontro/

 

Incidente em Antares: Aspectos Literários

 

Por Vera Correa

MODERNISMO

O Modernismo foi um movimento cultural, artístico e literário da primeira metade do século XX.
Na literatura brasileira, teve como marco inicial a Semana de Arte Moderna, em 1922, marcado pela efervescência de novas ideias e modelos.
O Modernismo surge num momento de insatisfação política no Brasil, com reflexo no campo das artes, daí a motivação para romper com o tradicionalismo.

Características do Modernismo

  • Libertação estética.
  • Ruptura com o tradicionalismo.
  • Experimentações artísticas.
  • Liberdade formal (versos livres, abandono das formas fixas, ausência de pontuação).
  • Linguagem com humor.
  • Valorização do cotidiano.

Fases do Modernismo

Primeira Fase do Modernismo (1922-1930)

Conhecida como a “Fase Heróica”, radical, publicação de revistas e manifestos e formação de grupos.

Segunda Fase do Modernismo (1930-1945)

Chamada de “Fase de Consolidação”, momento caracterizado por temáticas nacionalistas e regionalistas com predomínio da prosa de ficção.

É um momento de amadurecimento.

Terceira Fase do Modernismo (1945- 1980) ou até os dias atuais.

Diversidade: prosa urbana, regionalista, intimista.

 

PRINCIPAIS AUTORES

  • Oswald de Andrade (1890-1954)
  • Mário de Andrade (1893-1945)
  • Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
  • Rachel de Queiroz (1902-2003)
  • Jorge Amado (1912-2001)
  • Erico Verissimo (1905-1975)
  • Graciliano Ramos (1892-1953)
  • Vinícius de Moraes (1913-1980)
  • Cecília Meireles (1901-1964)
  • João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
  • Clarice Lispector (1920-1977)
  • Guimarães Rosa (1908-1967)

 

ERICO VERISSIMO: FASES LITERÁRIAS

Romance Urbano

Retrato da vida da pequena burguesia por meio de uma visão lírica, crítica, com linguagem tradicional e otimismo. As principais obras desta época são “Caminhos Cruzados”, “Clarissa” e “Olhai os Lírios do Campo”.

Romance Histórico

Sua grande obra dessa fase, a trilogia “O Tempo e o Vento”, retratou duzentos anos de formação do Rio Grande do Sul.

Romance Político Os livros dessa fase retratam o período da ditadura militar, o autoritarismo e as violações dos direitos humanos. As obras destaque são “O Senhor Embaixador” e “Incidente em Antares”.

 

INCIDENTE EM ANTARES

De 1971, último romance de Erico Verissimo.  Modernista.  Claramente político. Panorama sócio-político do Brasil contemporâneo.

Foco narrativo
Terceira pessoa, narrador onisciente e onipresente. Porém há intercalação de outros supostos narradores.  Simulação de transcrições de pseudo-autores.

Linguagem/Estilo
Mescla de ficção e história. Sarcasmo, espírito crítico, ironia,  caricatura de pessoas e instituições. Criação de termos com radicais gregos e latinos. Erudição – citações e referências. Poucos regionalismos.
Referência a teatro clássico. “A sátira menipéia é um gênero literário surgido ainda na Roma antiga, com autores como Luciano de Samósata (125-181). Alguns dos traços fundamentais da sátira menipéia são: o humor, a presença de mortos que se dirigem aos vivos, o tom filosofante e mudanças constantes de tom narrativo.” Coro.

Aspectos temáticos
Políticos – narrativa de mais de 100 anos. Nacionalismo, populismo, corrupção. Política desenvolvimentista, instalação do parque industrial.  Formação de classe operária, lutas por salários, organização sindical. Repressão. Ditadura. Tortura.
Sociológicos – Antares como símbolo da sociedade brasileira. Conservadorismo. Patriarcalismo. Machismo. Preconceito e desprezo pelos pobres e diferentes. Religião tradicional fazendo vista grossa para desmandos e injustiças. Moralidade de fachada. Mercantilismo da medicina.

Grupos de personagens

Classe abastada e conservadora. Mulheres submissas (maioria). Esquerdistas. Ralé. Favela.

 

Se quiseres saber mais sobre Incidente em Antares veja em:

http://www.passeiweb.com/estudos/livros/incidente_em_antares

http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/incidente-em-antares.html

O Fio da Vida – Contribuição de Mário C Correa

I Guerra Mundial 1914/1918

Conferência de Paz em Paris

Tratado de Versalhes

Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes – 28 jun 19

 A minha participação neste encontro será conversar um pouco sobre o Tratado de Versalhes.

O Tratado foi o documento elaborado pelos países em guerra combinando o seu final e quais seriam as obrigações que caberiam a cada Estado beligerante.

 Como se inicia e se encerra uma guerra

Um adágio diz que “todos sabem como começa uma discussão, mas ninguém sabe como ela vai acabar”. É o caso de uma guerra!

O seu início é:

– Declaração formal de Guerra motivada por interesses político-estratégicos e/ou econômicos (conquista de novos mercados, rotas comerciais, expansão territorial, busca de matérias primas, etc.)

Ela acaba quando:

– É feito um Acordo de Paz (quebra da vontade de lutar do adversário por falência de sua estrutura política e incapacidade de reação de suas forças militares).

Até hoje há países tecnicamente em guerra como as Coreias do Sul e do Norte, v.g.

O Tratado de Versalhes tratou disso.

Participantes

– Vencedores da I Guerra Mundial (Grã-Bretanha, França, Rússia, Itália, Japão e EUA) X Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Império Otomano e Bulgária.

– Assinaram 32 nações. As principais foram:

Alemanha, Chanceler Hermann Müller;

França,1º Ministro Clemenceau;

Grã-Bretanha, 1º Ministro Lloyd George,

EUA, Presidente Woodrow Wilson

Falando um pouco de cada envolvido sem entrar em muitos detalhes:

Tríplice Aliança

– Império Alemão (Reich) – Nação proeminente, envolvia as demais por suas atitudes hegemônicas e expansionistas.

– Império Austro-húngaro – sob forte influência do Reich, pivô do início do conflito por ter seu herdeiro, Príncipe Francisco Ferdinando, sido assassinado na Sérvia.

– Itália – retira-se da Aliança, antes da guerra, por não concordar com a decisão do Império Austro-Húngaro de invadir a Sérvia.

Tríplice Entente

França – maiores prejudicadas, a França e a Bélgica, palcos das batalhas de Guerra de Trincheiras, tiveram o supremo desgaste humano, sua infraestrutura destruída e quase 2 dos 10 milhões de vidas perdidas entre militares e civis. Principal motivo pelo qual a França era menos complacente na formulação das imposições feitas pelo tratado aos derrotados. Escolheu o mesmo Palácio do Acordo de 1871 (Guerra Franco-Prussiana) quando a França teve que ceder a Alsacia e a Lorena para o Império Alemão.

– Império Britânico – vinha do período vitoriano para uma gestão menos progressista com Eduardo VII. As potências europeias primavam pelo rearmamento e a busca de novos mercados mundiais e matéria prima. Era latente o receio da competição desenvolvimentista com a Alemanha. O Reino Unido tinha o maior poder naval europeu e buscou acordos defensivos com a França, e a Rússia formando a Tríplice Entente.

Estados Unidos

Despontando como uma liderança mundial, os EUA mantiveram-se, enquanto puderam, em sua zona de conforto adotando uma política de “Portas Abertas”, priorizando seus interesses econômicos, mas favorecendo a Tríplice Entente.

Com a saída da Rússia do conflito, a possibilidade do avanço alemão sobre o território francês e o ataque alemão aos navios americanos, os EUA declararam guerra à Tríplice Aliança.

O papel do Presidente Woodrow Wilson para o final do conflito mundial – proposta dos “Quatorze Pontos”. Propunha as bases para a paz com a reorganização das relações internacionais ao fim da Primeira Guerra Mundial, e o pacto para a criação da Sociedade das Nações. Advogava uma “Paz sem Vencedores” com sanções mais amenas aos vencidos. A França foi irremediavelmente contra.

O Congresso americano não ratificou o Tratado de Versalhes e os EUA, posteriormente assinaram acordo em separado com a Alemanha.

Fim do Conflito Armado

Os seguintes acontecimentos aceleraram o encerramento da já longa guerra (1914/1918):

Entrada dos EUA na guerra; toda a potente indústria americana a favor e seu efetivo militar;

Saída da Rússia (Revolução Bolchevista de 17); forçou a decisão estratégica americana em participar do conflito;

Abandono do Kaiser e o controle dos militares; reconhecimento da incapacidade de permanecer combatendo o adversário;

Situação econômica frágil dos beligerantes e consequente instabilidade interna principalmente dos Impérios Centrais e o

Extremo sacrifício e perdas humanas.

Assim foi assinado o Armistício de Campiège, em 1918 firmando o fim do combate.

Principais condições impostas pelo Tratado de Versalhes

– Responsabilidade única da Alemanha por todas as perdas e danos.

– Cessão territorial para vizinhos (França, Bélgica, Dinamarca, Polônia e Checoslováquia, entre outros) e perda de todas as colônias de além mar.

– Reparações de guerra (indenização de 33 Mi US$, ou 132 bilhões de marcos – cifras finais). Em 2010 foi paga a última parcela de 70 milhões de euros (R$ 162,6 milhões) encerrando uma história que durou quase 100 anos

– Manutenção da supremacia militar (Exército reduzido), exigência de governos democráticos com o banimento das tradicionais elites reais.

Ambiente pós-guerra

Como consequência:

– A República de Weimar surge pela entrega do poder da elite militar alemã ao Partido Democrata que assume os ônus de negociar a paz. Após período de instabilidade seguindo um curto período de relativa estabilidade, a crise econômica mundial (Crise de 1929) dá margem aos grupos insatisfeitos de encontrarem o melhor terreno para sua expansão e a possibilidade do crescimento do Partido Nazista.

– As imposições do tratado de Versalhes foram consideradas inaceitáveis (“Diktat”) pela direita alemã. O clima de fracasso e descontentamento do povo alemão e a humilhação contribuiu para a queda do governo em 1933 e ascensão do nazismo (Hitler) e criando condições para a eclosão da II GM

– Liga das Nações (abril de 1919 a 1946) precursora da ONU, foi criada no Tratado de Versalhes para arbitrar disputas internacionais e evitar futuras guerras. O sonho americano era a sua possibilidade de negociar Acordos de Paz entre seus participantes.

– Foi o fim da hegemonia do capitalismo e o início do socialismo sendo colocado em prática. Época de tensões sociais e políticas agravada com a ”Grande Depressão de 1929”.

E o Brasil?

– Mesmo sendo um País agrícola e pouco industrializado, foi o único representante latino-americano a entrar na I Guerra Mundial (Declaração de Guerra em outubro de 1917).

– Participou das operações nas seguintes operações:

– patrulha naval das costas brasileiras;

– ao integrar uma missão médica no Teatro de Operações europeu;

– ao enviar aviadores da Marinha e do Exército, junto à Força Aérea Real Britânica;

– integrando uma Esquadra Naval de patrulha no Mediterrâneo e,

– formando um contingente do Exército para atuar com o Exército francês.

– Em ressarcimento às suas perdas de guerra, obteve indenização pelo café perdido em embarcações afundadas e em armazéns em diversos portos marítimos e tomou posse de cerca de 70 navios alemães apreendidos em portos brasileiros.

– Com o encerramento da Guerra e o crescimento dos movimento sociais em voga no mundo, aqui também surgiram grupos e manifestações de inspirações diversas.

Para encerrar, como curiosidades:

– A família imperial brasileira, em exílio após a Proclamação da República, fato relativamente recente à época, pertencia à Casa de Habsburg, “Casa de Áustria”, família nobre europeia, cuja dinastia foi dissolvida após IGM. Maria Leopoldina, mãe de D Pedro II, pertencia a ela.

– A OIT foi criada como parte do Tratado de Versalhes no capítulo que tratava da Justiça Social. “Paz universal e permanente somente pode estar baseada na justiça social”. Getúlio Vargas aludiu ao Tratado para a criação da CLT.

– As guerras também trazem avanço tecnológico. A pesquisa de explosivos, armamentos, comunicações, melhores equipamentos médicos e meios mais eficientes de tratamento, resultaram em novos fertilizantes, aparelhos de Raio X portáteis, absorventes cirúrgicos, lâmpadas ultravioleta, melhoria da aviação e dos meios de comunicações e, infelizmente, também novos armamentos e gases mortais. Nesta semana mesmo, vimos nos diversos noticiários o uso do Sarin na Síria, gás letal proibido em tratados e convenções internacionais.

Mário C Corrêa

Brasília, 06 de abril de 2017

 

 

 

O Fio da Vida

 

 

 

 

 

Nome: O fio da vida
Autor: Kate Atkinson
Ano: 2014
Data do encontro: 06/04/2017
Apresentação por: Luciana e Rosete

 

Resumo por Masumi

Para ver a apresentação clique aqui
LIVRO O FIO DA VIDA – Kate Atkinson

Inicialmente, Luciana falou sobre o livro “O Fio da Vida”, de Kate Atkinson, escritora inglesa premiada. O romance se passa em várias épocas, desde o inicio da Primeira Guerra Mundial até depois da Segunda Guerra. Tem como temas os horrores das guerras, o destino, vida, morte, família, aborto, adultério, solidariedade, suicídio, doença mental etc. Além dos personagens principais há mais de cem personagens secundários no livro.

Mario fez um resumo das guerras mundiais, seus conflitos, suas causas e consequências, países aliados e inimigos. Falou sobre o Tratado de Versalhes e a influência de Hitler no mundo, especialmente nos aspectos sociais, econômicos e geográficos. Veja clicando aqui.

Rosete apresentou as criações surgidas na época do romance e a influência das guerras na área da saúde, tais como o surgimento da Gripe Espanhola, causada pelo vírus H1N1, que matou aproximadamente 100 milhões de pessoas, mais do que as guerras mundiais. Falou sobre as doenças mentais, esquizofrenia e distúrbio dissociativo de identidade.

Teresa Lírio discorreu sobre as emoções e sobre a sensibilidade da personagem Ursula.  Veja clicando aqui.

Para ver o resumo da reuniãohttps://livroseraquetes.wordpress.com/2017/04/21/2231/

As fotos de Vera Correa https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/04/12/o-fio-da-vida-fotos-do-encontro-06042017/