REUNIÃO DE 11/05/2017

LISTA DE PRESENÇA: Regina Moura, Teresa Lírio, Renilda, Luzimar, Maria Célia, Suely, Karla, Vera, Ana Brandalise, Andyara, Márcia Amorim, Andréia, Marília e Masumi.

Feita a votação entre os livros  O XARÁ e A MORTE DE IVAN ILITCH, foi escolhido este último.

DATA: 01/06/2017.

ANIVERSARIANTES DE JUNHO: Márcia Amorim, Leila, Cristina Monclaro, Adivani, Marcia e Silvia Diez.

INCIDENTE EM ANTARES, DE ERICO VERISSIMO.

Ana Brandalise falou sobre a vida e a obra de Erico Verissimo, um dos mais populares escritores brasileiros. Nascido em 1905, em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, o qual além de escrever para jornais e traduzir obras em ingles,  foi Diretor da Revista do Globo e autor de vários livros, dentre os quais se destacam Olhai os Lírios do Campo, O Tempo e o Vento, Clarissa e Incidente em Antares.

Vera discorreu sobre as fases da Literatura no Brasil, dando ênfase à Semana da Arte Moderna, que influenciou os escritores nacionais, dando-lhes mais liberdade. Erico Verissimo, em seu livro Incidente em Antares, descreveu a trajetória política do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Nos debates sobre a obra, ressaltaram os aspectos da corrupção, da degradação humana, alucinação, discriminação racial e social, preconceitos, populismo, religião, adultério, sindicalismo, greves, mercantilismo da Justiça e da Medicina,  e a semelhança com a situação sócio-política do Brasil atualmente.

 

CORA CORALINA, A DOCEIRA DA CASA DA PONTE

Dia 04 de maio de 2017

Com a presença de aproximadamente 100 pessoas, iniciou-se a reunião na Sede Social do Clube, aberta aos sócios e seus convidados.

O Diretor Cultural, Carlos Santiago, tomou a palavra agradecendo a presença a todos e apresentando o Sr. vice-Comodoro do Iate, Francisco Zenor Teixeira, a Sra. vice-Diretora Cultural, Silvia Frabetti, a Sra. Presidente do Emiate, Nidia Fernandes, a Sra. Marília Leão, representante da Sociedade Literária Livros e Raquetes, a Sra. Sonia Helena, palestrante, e o Sr. Paulo Sales, neto da escritora Cora Coralina.

O Sr. Francisco Zenor fez um breve relato de sua convivência com a escritora, em Goiás Velho, no ano de 1977, quando frequentou a cidade por dois anos e passou a apreciar sua obra literária e  seus famosos doces cristalizados. Naquela oportunidade, ele doou a primeira parte da pavimentação da Rua da Ponte e aprendeu com Cora Coralina a viver com amor no coração.

Marília Leão agradeceu aos sócios e convidados a presença na palestra da escritora e poeta Sonia Helena, integrante da Sociedade Literária Livros e Raquetes do Iate Clube.

Sonia Helena apresentou uma detalhada biografia de Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, famosa poetisa e contista goiana. Relatou sua vida desde  infância em Goiás, suas andanças pelos outros Estados até sua volta à casa da Rua da Ponte. Sua vida foi plena de atividades na agricultura, na literatura, no comércio e na fabricação dos famosos doces. Seu pseudônimo  Cora = coração, Coralina = vermelho.  Sonia Helena terminou sua palestra falando sobre o milho, famosa obra de Cora Coralina.

Paulo Sales, neto de Cora Coralina, relatou sua rica convivência com a avó, grande poeta, cronista e contista, cuja vida incentivou o turismo em Goiás Velho. Suas lembranças enriqueceram a palestra da noite.

Em seguida, ele apresentou o trailer do filme sobre Cora Coralina, de Renato Barbieri, que  não pôde comparecer ao evento.

Finalizando, Rosete falou sobre a Sociedade Literária Livros e Raquetes e fez o sorteio de dois livros da autora.

Incidente em Antares: Erico Verissimo

Erico Verissimo, um “contador de histórias”

Erico Lopes Verissimo nasceu em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, no dia 17 de dezembro de 1905. Filho de Sebastião Verissimo da Fonseca e de Abegahy Lopes, pertenceu a uma família rica e tradicional, que perdeu tudo no começo do século.

Estudou no Colégio Venâncio Alves, em Cruz Alta. Com 13 anos já lia autores nacionais como Aluísio Azevedo, Joaquim Manuel de Macedo, Coelho Neto, e também autores estrangeiros como Dostoievski e Walter Scott. Em 1920 foi para Porto Alegre, estudou no extinto Colégio Cruzeiro do Sul (hoje Colégio IPA), um internato de orientação protestante.

Em dezembro de 1922, quando seus pais se separaram, voltou para Cruz Alta e abandonou os planos de cursar uma universidade. Erico, sua mãe e seus irmãos passaram então a morar na casa dos avós maternos.

Em 1925, trabalhou no Banco Nacional do Comércio. Em 1926, tornou-se sócio de uma farmácia. Dava aulas de literatura e inglês. Em 1929, começou escrevendo contos para revistas e jornais. Em 1930, a farmácia foi à falência. Desempregado após a falência de sua farmácia, em dezembro de 1930, Erico mudou-se novamente para Porto Alegre, disposto a viver de seus escritos. Foi contratado para o cargo de secretário de redação da Revista do Globo, onde conviveu com escritores renomados como Augusto Meyer, Guilhermino César e Mário Quintana.

Em 1931, casa-se com Mafalda Halfem Volpe, com quem teve dois filhos:  Clarissa Verissimo e o também escritor Luis Fernando Verissimo. Em 1932, foi promovido a Diretor da Revista do Globo e atuou no departamento editorial da Livraria do Globo.

1933 foi o ano em que lançou seu primeiro romance, “Clarissa”.

Seu primeiro livro infantil foi lançado em 1936 com o título de “As Aventuras do Avião Vermelho”. Em seguida, o autor criou um programa infantil na Rádio Farroupilha com o nome de “Clube dos três porquinhos”.

Em 1941, Erico Verissimo foi para os Estados Unidos em missão cultural, a convite do Departamento de Estado americano.

Temendo a ditadura do governo Vargas, em 1943, foi lecionar literatura brasileira na Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Em 1947, já de volta ao Brasil, Verissimo começou a escrever a trilogia que marcou sua carreira: “O Tempo e o Vento”. O escritor queria contar a história do Rio Grande do Sul e a dividiu em três obras: “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago”. A trilogia, inclusive, virou novela na extinta TV Excelsior em 1967 e, em 1985, minissérie na TV Globo. “Olhai os Lírios do Campo” também ganhou uma adaptação nos anos 80 pela TV Globo, assim como “Incidente em Antares”, em 1994. (Filme completo em: https://www.youtube.com/watch?v=jPBfu7QT_cI)

Em 1953, ocupou o posto de Diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana. O registro de suas viagens foi descrito nos livros “Gato Preto em Campo de Neve” e “A Volta do Gato Preto”.

Erico tornou-se um dos raros escritores que passou a viver somente da literatura que produzia. O escritor morreu em 1975, em decorrência de um enfarte.

Prêmios e títulos:

  • Prêmio Machado de Assis, da  Editora Nacional, em 1934, por “Música ao longe”
  • Prêmio Fundação Graça Aranha por “Caminhos cruzados”
  • Título Doutor Honoris Causa, em 1944, pelo Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil
  • Prêmio Machado de Assis, em 1954, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra
  • Título de Cidadão de Porto Alegre, em 1964, conferido pela Câmara de Vereadores daquela cidade
  • Prêmio Jabuti– Categoria Romance, da Câmara Brasileira de Livros, em 1965, pelo livro “O senhor embaixador”
  • Prêmio Intelectual do Ano (Troféu Juca Pato), em 1968, concedido pela Folha de S. Paulo e pela União Brasileira de Escritores

 

Curiosidades

Erico costumava fazer open house aos sábados. As pessoas iam chegando e ele e Mafalda ficavam disponíveis para conversas até tarde da noite.

Em algumas circunstâncias, ao autografar um livro, ele desenhava um anjinho ao lado da assinatura. Este tipo de gesto levou Mafalda a colecionar pequenas imagens de anjinhos.

Após sua morte, Carlos Drummond de Andrade publicou um poema chamado “A Falta” em sua homenagem.

 A Falta de Erico
(Carlos Drummond de Andrade)

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de Sexta-feira
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

 Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda – como tarda!
a clarear o mundo. 

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente,
falta o casal passeando no trigal. 

Falta um solo de clarineta.

 

Considerava a si mesmo como o melhor escritor da rua Felipe de Oliveira em Porto Alegre, onde morou no número 1415 por 35 anos.

Era avesso a homenagens: “Falando com franqueza, eu não quero ser estátua. Só os passarinhos é que sabem tratar os monumentos com naturalidade”.

 

Uma amizade perfeita

A forte amizade entre Clarice Lispector e o casal Mafalda e Erico Verissimo levou a escritora a convidá-los oficialmente para serem os padrinhos de seus filhos, Pedro e Paulo, três anos após o nascimento do segundo. Não é sem razão que Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice, reconhece os Verissimo como avós e os melhores amigos de sua mãe.

Carta de Clarice
De: Clarice Lispector
Para: Mafalda Verissimo, Erico Verissimo
Washington, 7 de setembro de 1956,
Sexta-feira, 10 horas a.m.

Prezados senhor e senhora Erico Verissimo,

Como é do conhecimento dos senhores, meu marido e eu, não tendo infelizmente religião (por enquanto), criamos nossos filhos na ideia de Deus, mas sem lhes dar rituais definitivos, e à espera de que eles próprios mais tarde se definam.

Tendo terminado com algum esforço frase tão comprida, venho ao assunto principal que é o objetivo emocionado desta carta. Desejo perguntar-lhes se acreditam na possibilidade de padrinhos leigos. Eu acredito. No caso do senhor E e da senhora Fal também acreditarem, esta carta os convida, em nome de uma amizade perfeita, a serem padrinho e madrinha de Pedro e Paulo. A condição única é continuarem a gostar deles.

No caso dos senhores não aceitarem, no hard feelings. Mas a verdade é que, por três anos, vocês têm sidos os padrinhos deles, por tácito, espontâneo e comum acordo. Restaria apenas legalizar uma situação que aos poucos estava se tornando escandalosa.

Se eu disser que a ideia já me havia ocorrido mais de uma vez, os senhores hão de duvidar. Pois acreditem. Quando o senhor E. Verissimo aventou a hipótese, meu coração se rejubilou, e, quando o digo, não estou brincando.

Aí pois fica o nosso convite. A resposta deverá ser dada antes do embarque, pois, em caso de uma afirmativa, quero anunciá-la às crianças.

Na esperança do convite ser aceito, ouso assinar
Comadre Clarice

(sempre tive secreta inveja da comadre Luísa)[1]

Clarice Lispector. Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p. 209.
[1] N.S.: Luísa Bertaso, mulher de Henrique Bertaso, era madrinha de Clarissa Verissimo, filha de Erico e Mafalda, e por isso conhecida como “a comadre”.

 

Curiosidades sobre Incidente em Antares

Erico manteve um diário registrando os progressos do Incidente quando estava na casa da Clarissa em Van Ness Court. Pretendia incluir uma criança entre os mortos, mas foi desaconselhado pela Mafalda.

O livro foi escrito durante o auge da ditadura militar, sob o regime da Censura Prévia. Para fazer a denúncia do caráter discricionário do governo, Erico deslocou a história para antes de 64, de modo que não poderia ser acusado de estar denegrindo o novo regime. Mas inventou, para o delegado de Antares, as mesmas técnicas usadas nos porões do DOPS.

Algo que o preocupava era a capa do romance. Insistia com o editor que queria um pôr do sol muito vermelho sobre o perfil de Porto Alegre. Não houve jeito de fotografar a cidade do ângulo adequado para o poente. Depois de várias sugestões, a capa final foi desenhada dando figura ao que ele queria: o sol da peste.

Quando o livro ficou pronto, o receio de todos era que fosse apreendido pela Polícia.  Então o editor colocou nas vitrinas da Globo um cartaz com a capa e os dizeres: “Numa ditadura este livro seria censurado”. Ninguém se atreveu a contestar a frase e os exemplares saíram como pães quentes. De medo que logo fosse impedido de circular.

 

Pesquisa realizada nos sites:

Wikipedia
e-biografia
Museu Erico Verissimo
Consulta a Maria da Glória Bordini, Acervo Literário Erico Verissimo

Vera Correa – Reconciliação

 

Dia das Mães chegando.
Esther Lucio Bittencourt me lembrou deste escrito, publicado no Primeira Fonte há alguns anos.

Reconciliação

Por Vera Guimarães

Eu tinha quase oito anos e bastante confusão no coraçãozinho de menina. O pai, carinhoso e amável, mas desprovido das armas para os embates da vida, acabou cedendo a chefia da família para a mãe, valente e decidida, que abriu uma pensão para sustentar a família numerosa.

Eu não sabia direito a quem amar, se à provedora inflexível, se ao pai que tentava passar despercebido, mas sempre presente nas queixas da mãe.

E acabei achando que à mãe só devia respeito e gratidão, que ali não havia espaço para amenidades, para os supérfluos e os gestos de carinho.

Foi, pois, motivo de surpresa e encantamento o par de brinquinhos que minha mãe me deu naquele aniversário. Eles eram miúdos, feitos de ouro polido e martelado, em forma de caixinha redonda, com uma pequena pedra vermelha.

Eu não me cansava de olhar para eles. E entendi que, por trás e apesar das contas no armazém e da lida no tanque e no fogão de lenha, ainda havia espaço no coração de Mamãe para a poesia de uns brinquinhos comprados a prestação.

O Fio da Vida – Contribuição de Mário C Correa

I Guerra Mundial 1914/1918

Conferência de Paz em Paris

Tratado de Versalhes

Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes – 28 jun 19

 A minha participação neste encontro será conversar um pouco sobre o Tratado de Versalhes.

O Tratado foi o documento elaborado pelos países em guerra combinando o seu final e quais seriam as obrigações que caberiam a cada Estado beligerante.

 Como se inicia e se encerra uma guerra

Um adágio diz que “todos sabem como começa uma discussão, mas ninguém sabe como ela vai acabar”. É o caso de uma guerra!

O seu início é:

– Declaração formal de Guerra motivada por interesses político-estratégicos e/ou econômicos (conquista de novos mercados, rotas comerciais, expansão territorial, busca de matérias primas, etc.)

Ela acaba quando:

– É feito um Acordo de Paz (quebra da vontade de lutar do adversário por falência de sua estrutura política e incapacidade de reação de suas forças militares).

Até hoje há países tecnicamente em guerra como as Coreias do Sul e do Norte, v.g.

O Tratado de Versalhes tratou disso.

Participantes

– Vencedores da I Guerra Mundial (Grã-Bretanha, França, Rússia, Itália, Japão e EUA) X Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Império Otomano e Bulgária.

– Assinaram 32 nações. As principais foram:

Alemanha, Chanceler Hermann Müller;

França,1º Ministro Clemenceau;

Grã-Bretanha, 1º Ministro Lloyd George,

EUA, Presidente Woodrow Wilson

Falando um pouco de cada envolvido sem entrar em muitos detalhes:

Tríplice Aliança

– Império Alemão (Reich) – Nação proeminente, envolvia as demais por suas atitudes hegemônicas e expansionistas.

– Império Austro-húngaro – sob forte influência do Reich, pivô do início do conflito por ter seu herdeiro, Príncipe Francisco Ferdinando, sido assassinado na Sérvia.

– Itália – retira-se da Aliança, antes da guerra, por não concordar com a decisão do Império Austro-Húngaro de invadir a Sérvia.

Tríplice Entente

França – maiores prejudicadas, a França e a Bélgica, palcos das batalhas de Guerra de Trincheiras, tiveram o supremo desgaste humano, sua infraestrutura destruída e quase 2 dos 10 milhões de vidas perdidas entre militares e civis. Principal motivo pelo qual a França era menos complacente na formulação das imposições feitas pelo tratado aos derrotados. Escolheu o mesmo Palácio do Acordo de 1871 (Guerra Franco-Prussiana) quando a França teve que ceder a Alsacia e a Lorena para o Império Alemão.

– Império Britânico – vinha do período vitoriano para uma gestão menos progressista com Eduardo VII. As potências europeias primavam pelo rearmamento e a busca de novos mercados mundiais e matéria prima. Era latente o receio da competição desenvolvimentista com a Alemanha. O Reino Unido tinha o maior poder naval europeu e buscou acordos defensivos com a França, e a Rússia formando a Tríplice Entente.

Estados Unidos

Despontando como uma liderança mundial, os EUA mantiveram-se, enquanto puderam, em sua zona de conforto adotando uma política de “Portas Abertas”, priorizando seus interesses econômicos, mas favorecendo a Tríplice Entente.

Com a saída da Rússia do conflito, a possibilidade do avanço alemão sobre o território francês e o ataque alemão aos navios americanos, os EUA declararam guerra à Tríplice Aliança.

O papel do Presidente Woodrow Wilson para o final do conflito mundial – proposta dos “Quatorze Pontos”. Propunha as bases para a paz com a reorganização das relações internacionais ao fim da Primeira Guerra Mundial, e o pacto para a criação da Sociedade das Nações. Advogava uma “Paz sem Vencedores” com sanções mais amenas aos vencidos. A França foi irremediavelmente contra.

O Congresso americano não ratificou o Tratado de Versalhes e os EUA, posteriormente assinaram acordo em separado com a Alemanha.

Fim do Conflito Armado

Os seguintes acontecimentos aceleraram o encerramento da já longa guerra (1914/1918):

Entrada dos EUA na guerra; toda a potente indústria americana a favor e seu efetivo militar;

Saída da Rússia (Revolução Bolchevista de 17); forçou a decisão estratégica americana em participar do conflito;

Abandono do Kaiser e o controle dos militares; reconhecimento da incapacidade de permanecer combatendo o adversário;

Situação econômica frágil dos beligerantes e consequente instabilidade interna principalmente dos Impérios Centrais e o

Extremo sacrifício e perdas humanas.

Assim foi assinado o Armistício de Campiège, em 1918 firmando o fim do combate.

Principais condições impostas pelo Tratado de Versalhes

– Responsabilidade única da Alemanha por todas as perdas e danos.

– Cessão territorial para vizinhos (França, Bélgica, Dinamarca, Polônia e Checoslováquia, entre outros) e perda de todas as colônias de além mar.

– Reparações de guerra (indenização de 33 Mi US$, ou 132 bilhões de marcos – cifras finais). Em 2010 foi paga a última parcela de 70 milhões de euros (R$ 162,6 milhões) encerrando uma história que durou quase 100 anos

– Manutenção da supremacia militar (Exército reduzido), exigência de governos democráticos com o banimento das tradicionais elites reais.

Ambiente pós-guerra

Como consequência:

– A República de Weimar surge pela entrega do poder da elite militar alemã ao Partido Democrata que assume os ônus de negociar a paz. Após período de instabilidade seguindo um curto período de relativa estabilidade, a crise econômica mundial (Crise de 1929) dá margem aos grupos insatisfeitos de encontrarem o melhor terreno para sua expansão e a possibilidade do crescimento do Partido Nazista.

– As imposições do tratado de Versalhes foram consideradas inaceitáveis (“Diktat”) pela direita alemã. O clima de fracasso e descontentamento do povo alemão e a humilhação contribuiu para a queda do governo em 1933 e ascensão do nazismo (Hitler) e criando condições para a eclosão da II GM

– Liga das Nações (abril de 1919 a 1946) precursora da ONU, foi criada no Tratado de Versalhes para arbitrar disputas internacionais e evitar futuras guerras. O sonho americano era a sua possibilidade de negociar Acordos de Paz entre seus participantes.

– Foi o fim da hegemonia do capitalismo e o início do socialismo sendo colocado em prática. Época de tensões sociais e políticas agravada com a ”Grande Depressão de 1929”.

E o Brasil?

– Mesmo sendo um País agrícola e pouco industrializado, foi o único representante latino-americano a entrar na I Guerra Mundial (Declaração de Guerra em outubro de 1917).

– Participou das operações nas seguintes operações:

– patrulha naval das costas brasileiras;

– ao integrar uma missão médica no Teatro de Operações europeu;

– ao enviar aviadores da Marinha e do Exército, junto à Força Aérea Real Britânica;

– integrando uma Esquadra Naval de patrulha no Mediterrâneo e,

– formando um contingente do Exército para atuar com o Exército francês.

– Em ressarcimento às suas perdas de guerra, obteve indenização pelo café perdido em embarcações afundadas e em armazéns em diversos portos marítimos e tomou posse de cerca de 70 navios alemães apreendidos em portos brasileiros.

– Com o encerramento da Guerra e o crescimento dos movimento sociais em voga no mundo, aqui também surgiram grupos e manifestações de inspirações diversas.

Para encerrar, como curiosidades:

– A família imperial brasileira, em exílio após a Proclamação da República, fato relativamente recente à época, pertencia à Casa de Habsburg, “Casa de Áustria”, família nobre europeia, cuja dinastia foi dissolvida após IGM. Maria Leopoldina, mãe de D Pedro II, pertencia a ela.

– A OIT foi criada como parte do Tratado de Versalhes no capítulo que tratava da Justiça Social. “Paz universal e permanente somente pode estar baseada na justiça social”. Getúlio Vargas aludiu ao Tratado para a criação da CLT.

– As guerras também trazem avanço tecnológico. A pesquisa de explosivos, armamentos, comunicações, melhores equipamentos médicos e meios mais eficientes de tratamento, resultaram em novos fertilizantes, aparelhos de Raio X portáteis, absorventes cirúrgicos, lâmpadas ultravioleta, melhoria da aviação e dos meios de comunicações e, infelizmente, também novos armamentos e gases mortais. Nesta semana mesmo, vimos nos diversos noticiários o uso do Sarin na Síria, gás letal proibido em tratados e convenções internacionais.

Mário C Corrêa

Brasília, 06 de abril de 2017

 

 

 

O Fio da Vida -resumo da reunião

REUNIÃO DO DIA 06/04/2017

PRESENÇA: Luciana Leão, Cosete, Rosete, Sonia Helena, Andréia Cordeiro, Marilia Leão, Teresinha Accioly, Vera, Ana Brandalise, Andyara, Mario, Maria Célia, Maria José, Luzimar, Luciano Lírio, Teresa Lírio, Silvério, Patrícia, Beatriz Dornelles, Thais, Beatriz Coimbra, Paulo Cardoso, Francisco, Alice, Walquíria, Tarcísio, Ana Paula, Santiago, Marilena, Theresa Mury, Rosangela, Cléa Rodrigues, Masumi.

Feita a votação do livro do mês de maio, ficou escolhido “Incidente em Antares”, de Érico Veríssimo. A reunião será no dia 08 de maio, segunda-feira.

No dia 04 de maio, quinta-feira, Sonia Helena proferirá a palestra “CORA CORALINA, A DOCEIRA DA CASA DA PONTE”. O evento contará com a colaboração do cineasta Renato Barbieri, que lançará o filme sobre a vida e a obra de Cora Coralina brevemente. A palestra estará aberta a sócios e não sócios, sem necessidade de apresentarem convites.

Inicialmente, Luciana falou sobre o livro “O Fio da Vida”, de Kate Atkinson, escritora inglesa premiada. O romance se passa em várias épocas, desde o inicio da Primeira Guerra Mundial até depois da Segunda Guerra. Tem como temas os horrores das guerras, o destino, vida, morte, família, aborto, adultério, solidariedade, suicídio, doença mental etc. Além dos personagens principais há mais de cem personagens secundários no livro.

Mario fez um resumo das guerras mundiais, seus conflitos, suas causas e consequências, países aliados e inimigos. Falou sobre o Tratado de Versalhes e a influência de Hitler no mundo, especialmente nos aspectos sociais, econômicos e geográficos. Veja clicando aqui.

Rosete apresentou as criações surgidas na época do romance e a influência das guerras na área da saúde, tais como o surgimento da Gripe Espanhola, causada pelo vírus H1N1, que matou aproximadamente 100 milhões de pessoas, mais do que as guerras mundiais. Falou sobre as doenças mentais, esquizofrenia e disturbio dissociativo de identidade.

Teresa Lírio discorreu sobre as emoções e sobre a sensibilidade da personagem Ursula.  Veja clicando aqui.

Luciano falou sobre a fragmentação da personalidade.

Terminado o debate, passamos ao lanche, momento prazeroso da reunião.

O Fio da Vida, Kate Atkinson – Contribuição de Teresa Lirio

O Fio da Vida, Kate Atkinson

Contribuição de Teresa Lirio para o debate de 5/04/2017

Convidada a falar sobre os aspectos emocionais, destaco inicialmente as emoções suscitadas pela leitura de um livro aberto a múltiplas interpretações.  Acho que O Fio da Vida, de Kate Atkinson, desperta nos leitores a angústia diante da não compreensão e da impossibilidade de organizar os acontecimentos dentro de uma lógica racional. Podemos suportar o “não saber” e nos enriquecermos, como é o propósito dessa reunião, com suposições, imaginações e possibilidades aventadas sob os mais diversos vértices de observação. Poderemos também aderir a alguma teoria e nos convencermos de termos desvendado os enigmas dessa trama. Eu proponho ficarmos no terreno das múltiplas possibilidades procurando expandir significados a partir de olhares diversos.

Nesse sentido podemos seguir a própria autora, e considerar suas citações, na epígrafe, como fios condutores de sua motivação para escrever essa trama.

Primeira citação –  Nietzsche:  O tempo não é uma sequência de eventos determinados pelo evento anterior. O tempo é infinito e cíclico, portanto passível de retorno. Essa primeira citação se refere ao princípio do eterno retorno. “ Se você tivesse que viver tudo, uma e mais vezes incessantemente, o que sentiria? Recorrendo a imagem de um portal chamado “Instante”, ele descreve uma situação em que se juntam dois caminhos que duram uma eternidade: um que corre para trás e outro que corre para diante. No instante do presente, está condensada toda a eternidade; por isso é preciso nos apropriarmos de nossas escolhas e diferenciar o que vale a pena ser vivido.  Não há para Nietzsche uma vida após a morte, tem que ser aqui e agora.

Segunda citação –  Platão/Heráclito?  “Todas as coisas se movem e nada permanece imóvel”. Ao tentar dar conta do permanente e do transitório, Platão criou muitas teorias. Mundo sensível/ mundo das ideias. Corpo/alma. Metempsicose e Reminiscência. Imortalidade da alma. Para que alguém recorde algo, é necessário que antes tenha aprendido. Aquilo que recordamos foi aprendido numa outra existência, na qual a alma contemplou as ideias. Platão afirma deste modo que a alma preexiste ao corpo e sobrevive à sua morte.

Terceira citação – E se tivéssemos a possibilidade de fazer tudo de novo e de novo até afinal fazermos certo? (A experiência como fonte de aprendizagem e transformação)

Na estória contada por Kate Atkinson, alguns “instantes”, como propunha Nietzsche, determinavam o desenrolar dos acontecimentos futuros. Mas, as situações vividas se repetiam e Úrsula podia mudar os instantes decisivos. Assim, ela parecia viver muitas vidas…

O que chama a atenção, desde o início, é a extrema sensibilidade de Úrsula. Desde bem pequena ela era diferente. Registrava o mundo sensorial nos mínimos detalhes. Pressentia os acontecimentos e tinha tal sintonia e empatia com o outro que sentia na pele as dores de quem amava. Essa mesma sensibilidade que abre para a intuição e para a comunicação sem palavras, também pode resultar na apreensão de algo da realidade que não pode ser suportado. Todos temos um escudo protetor, seja pela imaturidade na infância, seja por defesas construídas, pois a realidade pode ser intolerável, gerando cisões da personalidade. Muitos estados patológicos resultam de uma exposição a algo que foi percebido precocemente. Nesse sentido a potencialidade se transforma em adoecimento.

Úrsula seria uma pessoa de extrema sensibilidade, com intuições e capacidade imaginativa para viver em sua mente as múltiplas realidades, ou os relatos correspondiam a delírios e perturbações psiquiátricas? Ela pressentia o que iria acontecer no futuro, como um fenômeno dejà vu? Por uma vivência anterior, tipo reminiscência e metempsicose como pensava Platão? Por vidas passadas? Por algum tipo de patologia cerebral? Como um fenômeno premonitório como defende a parapsicologia? Por uma comunicação de inconsciente para inconsciente que se expressa como intuição? Ou poderia estar imaginando o que poderia ter acontecido, criando versões não vividas, de situações apavorantes ou desejadas? Tipo fantasias, sonhos? E, na tentativa de elaborar algo traumático as angústias iam e voltavam e voltavam?Podemos pensar ainda nas complicadas teorias da física quântica, nas dobraduras do tempo…

Afinal como podia viver em um tempo não linear, e em espaços múltiplos e excludentes?   Viveu a segunda guerra na Alemanha ou na Inglaterra?  Essas questões mantêm o suspense e deixam o leitor ligado na leitura até o fim; fazem parte da estratégia do autor, mas em minha opinião não podem ser respondidas.

Acho que a estória nos captura também por acenar com a possibilidade de fazer tudo de novo e de novo, até acertar! Como seria maravilhoso ter uma segunda chance…poder consertar, reparar, evitar os acontecimentos dolorosos…. Esse desejo, o de não ter que se haver com o irreversível e o irreparável da dimensão trágica da existência, habita em todos nós. Aprendemos a duras penas que esse é um desejo inalcançável, mas, com Úrsula essa ilusão retorna irresistível e, momentaneamente, aliviados, lhe damos as boas vindas.