170 anos de Castro Alves
Coragem de ser mulher, de Sôniahelena
Coragem de ser mulher
numa terra que é dos homens
é saber abrir espaços,
é poder se arriscar.
Coragem de, sendo caça,
ir em frente e desafiar
tabus, preconceitos, culturas,
conquistando seu lugar.
Coragem de ser mulher
numa terra masculina
é assumir ter mil faces.
Ser triste para cantar
e meiga para sorrir.
Ser terna para envolver,
ser forte para chorar.
Atrevida e negacear,
submissa ao discordar.
Ser lúcida pra decidir,
ser livre para avançar.
Coragem de ser mulher
numa terra de varões
exige se atrever
ou até se desnudar
e, no entanto, com o querer,
conseguir se preservar.
Coragem de repartir,
coragem de recusar.
Coragem de se integrar,
coragem de competir
sem precisar disputar.
Coragem de ser mulher,
coragem de indagar.
Coragem de investir
no mundo, na vida, nos homens.
Coragem de acreditar,
coragem de compartir,
coragem de conquistar.
Coragem de se guardar
e também se insinuar.
Coragem de seduzir,
coragem até de amar.
A livraria mágica de Paris: fotos do encontro 04/03/2017
Semana da mulher
No blog da Companhia das Letras:
http://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/15-autoras-para-ler-agora
A Livraria Mágica de Paris

Nome: A livraria mágica de Paris
Autor: Nina George
Ano: 2013
Título original: Das Lavendelzimmer
Data do encontro: 02/03/2016
Apresentação por: Maria Célia, Masumi,
Beatriz Dornelles e Ana Brandalise
Nina George por Maria Célia
Nina George, escritora, jornalista e professora, nasceu em 30 de agosto de 1973 (43 anos), em Bielefeld – Alemanha).
Começou a trabalhar a partir dos 14 anos em vários estabelecimentos de alimentação
Em 1991, abandonou a escola antes de terminar o ensino médio.
Começou a escrever em 1993 como jornalista freelancer e colunista de revistas como a Cosmopolitan, Penthouse, TV Filme, Frau im Trend.
Escreve thrillers, romances, artigos, contos e crônicas.
É mais conhecida como autora de “A Livraria Mágica de Paris” (The Little Paris 33Bookshop), um best seller internacional que foi traduzido em 33 idiomas a partir de 2015 e foram vendidas mais de 500.000 cópias. Permaneceu mais de um ano nas listas de livros mais vendidos da Alemanha e foi best seller na Itália, na Polônia, na Holanda e nos Estados Unidos, figurando várias semanas na lista do New York Times. Foi classificado entre os dez melhores romances na lista da revista Spiegel.
É uma novela semi-autobiográfica escrita após a morte de seu pai.
A primeira publicação foi em alemão como “Das Lavendelzimmer” em 2 de maio de 2013.
Publicou 26 livros (romances, mistérios e não-ficção), mais de uma centena de contos e cerca de 600 colunas em jornais.
Trabalhou como repórter policial, colunista e editora-chefe de uma ampla gama de publicações, incluindo Hamburger Abendblatt, Die Welt, Der Hamburger, bem como TV Movie e Federwelt.
Nina George é casada com o escritor Jens J. Kramer e divide seu tempo entre Hamburgo e a Bretanha.
É membro, dentre outras associações:
– do PEN International (promove a literatura e sua liberdade de expressão. Abrange mais de 100 países. É uma organização não-política reconhecida pela UNESCO. É conselheira de assuntos relacionados com os direitos autorais.);
– da Das Syndikat (associação de autores de crimes de língua alemã);
– da Associação dos Autores Alemães (VS);
– da Associação de Autores de Hamburgo (HAV);
– da BücherFrauen (Women in Publishing);
– da IACW / AIEP Of Crime Writers;
– da GEDOK (Associação de artistas femininas na Alemanha), e
– do PRO QUOTE e Lean In.
Faz parte da diretoria do Conselho de Escritores e Tradutores dos Três Mares (TSWTC), cujos membros vêm de 16 países.
Em 2014, pronunciou o discurso de abertura em Berlim, na Conferência dos Escritores Alemães, para 140 escritores presentes.
Ela ensina a escrever na Literaturbüro Unna, Alsterdamm Kunstschule, Wilhelmsburger Honigfabrik, onde ela treina jovens, adultos e autores profissionais.
Ela se mudou para Concarneau, na França, onde agora mora com seu marido.
Livros como Nina George
2013 – A Livraria Mágica de Paris
2010 – O Jogador da Lua, Knaur- premiado com o Delia 2011 – prêmio literário para o melhor romance alemão do ano anterior pelos Amigos da Literatura
2008 -Como é o Inferno,
2005 – O Vocabulário dos Homens
2003 -O Caminho do Guerreiro
2003 – Jack, Rainha
2001 – Nenhum Sexo, Nenhuma Cerveja
Livros com o pseudônimo de Anne West – sobre questões de amor, sexualidade e erotismo
2009 – O Que as Mulheres Sonham e Como Obtê-lo
2009 – Sexo para Esquiadores Avançados
2009 – Sentindo – o Sentimento
2009 – Sexo Absoluto
2007 – Deusas do Sexo Manual
2006 – Sexo de Um Dia
2006 – O Efeito de Venus
2004 – Histórias Sujas
2003 – Kamasutra Without Hernia, como co-autor.
Por que os Homens São tão Rápidos e as Mulheres só Fingem,
1998 – As Boas Meninas Fazem na cama – As Más, em Toda Parte.
Livro como Nina Kramer (seu nome de casada)
2008 – A Life Without Me – sobre a saúde reprodutiva das mulheres
Livros com o pseudônimo de Jean Bagnol – escreveu novelas policiais com seu marido
2015 – Comissário Mazan e o Anjo Cego
2013 – Comissário Mazan e os Herdeiros do Marquês
Em uma entrevista ela disse:
” Escrevo para entender melhor o que penso, para ver o mundo com mais clareza – e porque é como exprimo o meu desejo de criar, de mudar o mundo, o meu amor pela humanidade. Escrever para mim é uma maneira de me comunicar em todas as direções: comigo mesma e também com outras pessoas. É também traduzir as profundezas escuras da experiência humana em histórias para que outros possam aprender algo como tolerância e como se ver mais claramente.”
“É cada vez mais importante para os autores se envolverem nos dias de hoje. O movimento em direção ao conteúdo digital fez com que nosso trabalho perdesse valor. As taxas fixas, os contratos de compra total, a pirataria de livros eletrônicos e o preço de dumping levaram a sociedade a depreciar nossas conquistas, assim como o uso do nosso trabalho pelo Google Books e outros, o que é claramente ilegal de acordo com a legislação alemã. Não só a sociedade, mas também os políticos. As pessoas usam o nosso trabalho sem fornecer compensação adequada nem mesmo defender nossos direitos.”
“É por isso que estou lutando: impedir que nosso trabalho seja valorizado apenas com base no preço.”
Tel/fax 0049 3222 4277 353 – http://www.facebook.com/jeanbagnol
Nome: O amante japonês |
Encontro de 2/02/2017
Para ver apresentação clique aqui: O amante japonês
Protagonismo, Repetições e Transformações.
Sobre o livro O Amante Japonês, de Isabel Allende
Teresa Lirio
Em uma entrevista perguntaram a Isabel Allende de onde ela tirou força para escrever o seu livro Paula. Ela falou bastante da filha, de sua dor, do quanto se expôs no livro e disse que na verdade foi o inverso: escrever lhe deu forças.
Falando de seu processo criativo, disse ter muitas sementes, algumas florescem, outras não. Vai se interessando por histórias, ouvindo as pessoas, e de repente surge um encontro fértil entre o que ouviu com algo que tenha significado especial para ela. Daí nasce um novo livro.
Achei muita semelhança entre o seu processo criativo e o processo de produção dos sonhos. Somos todos escritores e cineastas. Na teoria psicanalítica, fantasias e angústias, enfim, conflitos, constituídos pelo desejo em seu enfrentamento com a realidade, são os protagonistas dos sonhos. O processo de elaboração onírica, transforma os conteúdos latentes em conteúdos manifestos, resultando na narrativa do sonho. Muitas vezes, um sonho é seguido por outro, aparentemente diferente, mas motivado por aspectos inconscientes semelhantes. Como se da primeira tentativa de elaboração resultasse uma aproximação maior com a dinâmica inconsciente, que vai insistindo e encontrando menos resistência em se expressar.
Nos sonhos, os aspectos inconscientes dão o tom do conteúdo latente, já nos escritos ou filmes, embora sempre possa haver algo inacessível, os fatores inspiradores podem ser do conhecimento do escritor.
No momento da escrita do Amante Japonês, Isabel estava as voltas com o envelhecimento, e, com muitas interrogações sobre o amor na maturidade, interessada em entender como o amor acaba, e, se pode haver paixão na velhice. Seu casamento havia acabado, estava muito carente e quis escrever uma história de amor…
Escreveu uma estória com duas tramas que se cruzam. Um casal mais velho e outro mais jovem. Estórias separadas por décadas e por diferenças sócio/econômicas/culturais, mas com semelhanças significativas.
Que fatores comuns movem essas tramas? Quais os protagonistas? Alma e Ichimei? Alma Belasco e Irina Balizi?
Em 1939 – início da segunda Guerra – Alma Belasco foi mandada pelos pais para América devido ao perigo do nazismo e foi acolhida pelos tios em São Francisco. Enamorou-se do filho do jardineiro, Ichimei Fukuda. Irina também deixa sua cidade e sua família e sofre com a violência da guerra.
Os pais de Alma foram mortos pelo Nazismo. Irina também perdeu os pais, não por morte, mas pela perda da função de cuidadores e protetores. Também eles foram atingidos pela violência da guerra e pela miséria de vida que levavam e que os tornou embotados afetivamente. Ana foi protegida, Irina foi abusada, mas as duas conservaram a capacidade amorosa.
Nas duas histórias, temos o desafio de vencer a diferença socioeconômica. As duas têm seus segredos; aliás, a autora diz que o segredo e o suspense são fundamentais, e que nessa estória todos tem os seus segredos.
Aparentemente Alma e Irina vivem um amor impossível…. Alma consegue reverter essa impossibilidade por sua determinação e liberdade interior. Irina também tem seus recursos; sua força de vida fêz com que apesar de tudo o que sofreu, continuasse amorosa, alegre, curiosa, enfim cheia de vida e fosse a pessoa cativante por quem Seth se apaixonou.
Comparei essas duas histórias a sonhos de uma mesma noite, nos quais os temas da vida de Isabel Allende, os assuntos que importam a ela têm o protagonismo. Diferentes narrativas, com os mesmos elementos motivacionais.
São histórias de superação, de valorização da tenacidade na luta contra a adversidade, contra os preconceitos, e contra a violência. Em entrevistas a autora expressa seu horror a impunidade, e conta de seu engajamento na luta pelos direitos das mulheres e pela afirmação da liberdade.
Aliás, todos esses valores já são antecipados na epígrafe em homenagem a Soror Juana de la Cruz.
Soror Juana nasceu dia 12 de novembro do ano de 1651 na fazenda de San Miguel de Nepantla, próximo à cidade de Amecameca, filha de pai basco e mãe mexicana.
Transcrição de um trecho do texto de Roberto Pompeu de Toledo publicado no Site do Wellignton Farias
“Ela era bela e era freira. Inteligente e admirada. Ser bela e freira, eis uma combinação que intriga e encanta. Era requisitada e festejada, tinha amigos nos altos círculos e, além do mais, era poeta. Principalmente, era poeta. E não uma poeta qualquer, mas autora de uma obra que acabou por consagrá-la como um nome importante da literatura em língua espanhola. “Ouve-me com os olhos/já que estão tão distantes os ouvidos”, escreveu num poema a um amigo ausente. “Ouve-me surdo, pois me queixo muda. “ Ela amava os paradoxos, os jogos com as palavras e os conceitos, e tinha um domínio de virtuose sobre o ritmo da frase. A personagem em questão é sóror Juana Inés de la Cruz, figura importante da literatura do México, onde nasceu e viveu entre 1648 e 1695. Três séculos depois, outra figura importante da literatura do México, o poeta e ensaísta Octavio Paz, falecido em abril último, ganhador do Prêmio Nobel em 1990, fez dela o tema de um livro publicado no original em 1981 e agora lançado no Brasil, Sóror Juana Inés de la Cruz — As Armadilhas da Fé (tradução de Wladir Dupont; Siciliano; 709 páginas; 56 reais).
….
Da menina Juana Inés sabe-se pouco. Amava os livros e a certa altura acalentou o projeto de vestir-se de homem para credenciar-se ao privilégio masculino que era frequentar a universidade. Acabou num convento, o que configura a primeira das duas grandes interrogações de sua existência. Por que resolveu ser freira? Por que, sendo bela e evidenciando mais vocação para a vida social do que para a religiosa, se decidiu pelo convento? A segunda interrogação tem origem lá bem adiante, quando, escritora aclamada em todo o mundo hispânico, decide não mais escrever e entrega-se inteiramente à reserva da vida religiosa. Por quê? Em torno dessas duas interrogações, Octavio Paz constrói seu livro”.
Livro de Octávio Paz
Ao Introduzir o Romance O Amante Japonês com essa epígrafe, trazendo para a cena Soror Juana, Isabel já nos antecipa que seu livro tratará da luta para vencer a opressão e o preconceito, e do direito a buscar a liberdade e a felicidade.
Além de levar essa luta tocando as pessoas com os seus personagens e histórias, Isabel Allende também criou uma fundação com o objetivo de sustentar financeiramente projetos ao redor do mundo que promovam o empoderamento das mulheres, especialmente pela educação.
Isabel também lutou e venceu condições adversas para se tornar a grande escritora e a encantadora mulher que hoje conhecemos.
Veja as fotos do encontro aqui:
https://livroseraquetes.wordpress.com/2017/02/02/fotos-do-encontro-do-dia-02022017/
