Além da Liberdade

Em tempos de intolerância política, de excessos de convicções sem provas e de provas sem convicções; este filme de 2012, que pode ser visto no Netflix, mostra como a suavidade unida à segurança, a ternura à força, o amor à tolerância, podem fazer que uma sociedade regida por um regime militar evolua à democracia.

Ao custo de sua liberdade, Aung San Suu Kyi, por Michelle Yeoh, e da convivência com a sua família, o marido Michael Aris , por David Thewlis, e os dois filhos, Kim, por Jonathan Raggett, e Alex, por Jonathan Woodhouse; Suu ao retornar, da Inglaterra, ao seu país de origem, Birmânia, ela encontra uma sociedade atolada em chacinas comandadas por oficiais contra todos que contestam o governo, prisões de civis mantidos em condições degradantes, dentre tudo mais de humilhante que permeia um governo eminentemente militar. Líderes locais a procuram para que ela lidere o movimento pela implementação da democracia e ela aceita ao custo de sua liberdade já que passa 15 anos em prisão domiciliar.

Com suavidade, leveza, segurança, força e ternura, Suu nos ensina que violência e intolerância se reproduzidas não cessarão jamais. Inclusive, suas posturas de não-violência são determinantes para que seja vencedora do prêmio Nobel da Paz em 1991. Hoje, atua como 1ª Conselheira de Estado de Myanmar (ex-Birmânia).

Em meio a tantas intolerâncias, este filme nos traz esperança! O poder do feminino sendo transformador de uma sociedade masculinamente adoecida.

Ficha técnica:

Direção: Luc Besson
Elenco: Michelle Yeoh, David Thewlis, Benedict Wong e outros
Gênero: Biografia, Drama
Nacionalidades: França, Reino unido

 

Update: Na coluna de hoje, 18/09, Leandro Karnal discorre sobre a gentileza e do quanto ela é necessária para uma sociedade: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,gentileza-gera-gentileza,10000076501

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan – Contribuição da Rosete sobre questões médicas e religiosas.

Um dos casos julgados por Fiona foi a autorização do uso de transfusão de sangue para Adam Henry , adolescente de 17 anos, portador de leucemia aguda pós o uso de quimioterapia. A família , seguidores de Testemunhas de Jeová , e o próprio paciente não aceitam o uso da transfusão pois . Os médicos pedem para que Adam seja transfundido ,pois corre risco de morte. A decisão de Fiona foi favorável aos médicos e permitiu o uso de transfusão sanguínea . Concordei 100% com a decisão dela pois: 1- do ponto de vista religioso todos os versículos da Bíblia estudados pelos próprios bispos dos Testemunhas de Jeová usam a palavra comer sangue , o que pode nos rememorar de atos de canibalismos de povos do antigo testamento. O poder que o Sangue para eles é como se no sangue estivesse a nossa alma ou o nosso cerne , o que sabemos atualmente é que as transfusões de sangue regulam a nossa quantidade de líquido e a capacidade de transportar oxigênio pela quantidade de ferro que nos é injetada. 2- do ponto de vista médico o tratamento de uma leucemia do adulto com quimioterápicos potentes está totalmente associada ao uso de antibióticos e compostos sanguíneos sejam eles glóbulos vermelhos, brancos ou plaquetas. Não há como tratar este paciente se não puder fazer uso de um ou de outro. No caso do paciente ou parentes se negarem ao uso deles, cabe então aos médicos a decisão de não tratá-lo .

MEMÓRIA – crônica de Vera Correa

SENHORA DO TEMPO

MEMÓRIA

Ao envelhecer, ganhamos muito. Na maioria das vezes, ganhamos leveza perante a vida, estabilidade financeira e emocional, ganhamos quilos, tolerância com nossas deficiências e as dos outros, consciência de que as aflições passam.
E perdemos muito: perdemos agilidade, cabelos, joelho, tolerância para barulhos, disposição para sair de casa. Ah, desculpem, essa sou eu. Nem todo mundo é assim.
Uma perda é certa: a da memória. Se bem que tem gente que desde nova não guarda fatos, nomes, circunstâncias, fisionomias e lugares, e se mete em grossas trapalhadas a vida inteira.
Por exemplo, amiga ainda jovem conta que recentemente se encontrou com alguém de quem não conseguia se lembrar totalmente. Para piorar a estranheza do encontro, a pessoa a chamava de Cristina. Minha amiga chegou a falar: “Provavelmente você me confunde com outra, não sou Cristina.”
Ao relatar o fato ao marido, ouviu dele: “Mas você É Cristina! Ana Cristina!” “Oooooooh, sou mesmo! No colégio todo mundo me chamava de Cristina! Ela deve ser do meu tempo de escola. E agora? Passei por louca! Ou metida.”
Hoje em dia, umas amigas dizem que só contam um caso em grupo: uma lembra o onde, outra o quem, outra lembra o como. E assim, de retalho em retalho…(Olha só, lembrei, isso é trecho de música que Nelson Gonçalves cantava na década de 1950.) Mas voltemos ao assunto, antes que ele se perca nos desvãos do cérebro já se desintegrando…
Tudo tem suas vantagens. Outro dia, reunidas depois do tênis, precisando preencher um formulário pela internet, uma amiga menos experiente em tecnologia pediu que uma colega a ajudasse. Na hora dos dados de cartão de crédito e senha, a favorecida os passou em voz alta, sem se importar que as amigas ali ao redor da mesa ouvissem. Diante do espanto de algumas, falou: “Ah, bobagem, ninguém vai guardar mesmo…”
Se algumas vezes rimos dessas peças que a memória nos prega, no mais das vezes ficamos inutilmente irritados. Pra quê? Em lugar de nos aborrecermos, que tal adotarmos rituais, medidas, rotinas e objetos amigáveis? Por exemplo, algumas providências que tenho tomado:
– escolher um gancho, uma gaveta, enfim, um lugar certo para deixar a bolsa quando chego a casa;
– prover o celular de capa espalhafatosa, personalizada, de forma a ser facilmente encontrado (Steve Jobs deve se revirar na tumba com esta sugestão: exigiu meses de trabalho da sua equipe até encontrar o elegantíssimo branco Apple que seus aparelhos ostentam, ou ostentavam, até eu colocar uma capa e um rabicho vermelhos no meu;
– separar os remédios, em caixinhas próprias, por manhã, tarde, noite; uma amiga me conta que a “margarida” já não comporta todos os medicamentos, agora usa uma “torre”;
– usar bolsas providas de compartimentos externos, de fácil acesso, para o objeto mais usado (chave, óculos);
– para quem não use bolsa, caso de uma de minhas irmãs, adotar calças com bolsos, como os modelos cargo;
– adaptar mosquetões à bolsa (no caso, mosquetinhos) para prender chaves, celulares ou algum outro objeto;
– se troco de bolsa para ir a algum evento, na volta retornar o conteúdo para a bolsa costumeira imediatamente.
Já para fisionomias, nomes, impressão de conhecer pessoas, ou para os casos de não ter a menor noção de quem seja aquela a nos sorrir, não sei o que fazer. Talvez usarmos crachá com nome e foto. Mas, atenção, foto de tempos passados, evidentemente, daquele tempo em que ainda éramos Cristina.

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan – Encontro de 01/09/2016

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Nome: A Balada de Adam Henry
Autor: Ian McEwan
Ano: 2014
Título original: The children act
Data do encontro: 01/09/2016

Iniciamos o encontro em torno do Livro A Balada de Adam Henry com a apresentação da Rosete sobre as questões médicas e religiosas. Vejam aqui.

Em seguida  Karla leu o resumo do livro enviado por Massumi. Vejam aqui o texto do resumo na íntegra.
A Balada de Adam Henry – Resumo elaborado por Masumi

Após a apresentação da Rosete, iniciamos a roda de fogo, o ponto alto de nosso debate.

Como  contribuição ao debate, Vera apresentou suas  considerações  sobre  o tema  do fundamentalismo. Vejam aqui.

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A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan – Resumo elaborado por Masumi

RESUMO DO LIVRO A BALADA DE ADAM HENRY – IAN MCEWAN

A BALADA DE ADAM HENRY passa-se em Londres, tendo como principal personagem Fiona Maye, respeitada juíza do Tribunal Superior.

Terminados os árduos trabalhos no Tribunal, Fiona encontra-se em sua casa, tentando relaxar-se após uma intensa briga com seu marido Jack. Ele reclamou a respeito da vida sexual deles, prejudicada pelo intenso trabalho de Fiona. Jack estava com 60 anos e queria ter uma grande paixão, apesar de dizer que ainda a amava. Fiona não aceitaria um casamento aberto após 35 anos de convivência, preferindo ficar sozinha.

O cotidiano da juíza era repleto de problemas que acontecem no mundo atual, tais como divórcio, briga pela guarda e educação dos filhos, pensões, heranças, residência dos filhos, estupros, drogas, problemas religiosos, alcoolismo, agressões, assassinatos etc. Quando os processos da Vara de Família envolviam crianças, ela sempre dava prioridade à Lei da Criança.

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Na TV também tem

   Nem só aos livros se limitam os assuntos literários. Com o mundo cada vez mais visual, a literatura, que não é boba, vai conquistando seus espaços no cinema, na televisão, nas mídias sociais e no que mais por aí vier, ela se adaptará para se fazer ver.
   No canal pago Globo News, há um programa chamado Literatura em que são discutidas novas e antigas publicações, fala-se com os autores, exibe as novidades. O cenário, quase sempre, alguma livraria, biblioteca, um ambiente que remete ao mundo literário e para onde dá vontade de se transportar para estar ao lado do apresentador Edney Silvestre que, apesar de fazer vista aos olhos, não rouba a cena dos entrevistados. Aliás, ele mesmo tem algumas publicações, dentre as quais indico: Se eu fechar os olhos agora e Vidas provisórias. Aqui neste link http://globosatplay.globo.com/globonews/globonews-literatura/ você poderá ver alguns episódios e se inteirar das novidades literárias.
   Já em canal aberto, a TV Cultura exibe aos domingos, 22h, o programa Café Filosófico. Sempre conta com a presença de algum escritor, filósofo, estudioso, psiquiatra que tratará de um assunto ligado aos anseios e angústias individuais paralelamente a algum livro que trate sobre o mesmo tema. Aqui http://www.institutocpfl.org.br/cultura/videoteca/ há alguns dos vários programas. E no YouTube também se encontram vários episódios e trechos de interessantes palestras.
   Seja com um livro ou na presença de uma tela, a literatura pode te alcançar; te abraçar; te fazer viajar, pensar, meditar. Receba esta visita!

A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan – Contribuição da Vera Correa sobre o Fundamentalismo.

FUNDAMENTALISMO

No livro, casos polêmicos de motivação religiosa:
. Casal judeu haredi e guarda das filhas.

. Gêmeos siameses filhos de casal católico jamaicano.

. O protagonista Adam Henry, testemunha de Jeová, portador de leucemia, recusa tratamento que contraria preceitos da sua religião.

https://noticias.terra.com.br/educacao/historia/a-politica-do-fundamentalismo,6008affdfb1ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

“Na verdade o fundamentalismo é um movimento socio-religioso e político muito diversificado e bem mais extenso do que as fronteiras do Islã. Paradoxalmente é nos Estados Unidos de hoje que encontramos o maior contingente de fundamentalistas, só que cristãos. O que se segue abaixo é uma síntese deste poderoso movimento, onde se procura identificar os tipos de fundamentalismo bem como seus objetivos.” (…)

“Antes de tudo é necessário definir o que vem a ser fundamentalismo ou integrismo(*). Designa-se assim todo e qualquer movimento religioso, de qualquer origem, que tende a interpretar a realidade de hoje através dos olhos de antigos conceitos e preceitos, e que renega os valores da modernidade. Para o fundamentalista, o fiel deve seguir à risca as páginas dos textos sagrados da sua religião. As Escrituras (sejam elas a Bíblia, o Talmude, o Corão, ou o Hadith dos hindus) foram traçadas por Deus, logo devem ser interpretadas como a sua vontade indiscutível.” (…)

“Naturalmente que os fundamentalistas não aceitam o criticismo, isto é, o movimento intelectual teológico moderno (pelo menos desde Spinoza para cá) que diz que elas, as palavras sagradas, devem ser interpretadas de acordo com a época e as circunstâncias em que foram escritas e que abrigam uma enorme distância da realidade atual.” (…)
“Foi contra isto tudo (a modernidade) que os fundamentalistas se ergueram fundando a WCFA (World’s Christian Fundamentals Association), em 1919. Os pastores das igrejas batistas, presbiterianas, episcopais e adventistas apontaram seu dedo acusador para o pecado da modernidade. Defendiam, em substituição ao Milenarismo (que, apocalíptico, predizia o fim do mundo para breve), o chamado 2º Advento de Cristo.” (…)
“As bases deles são os Institutos da Bíblia e as cadeias de radio e de televisão do interior do país – especialmente os estados que formam o ‘Cinturão da Bíblia’ “(…)

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Bible_Belt

“No campo das ideias empenham-se para que as escolas ensinem o criacionismo, preso à interpretação literal do Livro do Gênesis, que afirma ser a natureza um ato de criação divina e, portanto, intocável pelo homem. Neste campo seu inimigo é a teoria da evolução de Darwin que eles consideram como demoníaca.” (…)
“Quem mais lhes deu espaço, a autodesignada Maioria Moral, foi o Presidente Ronald Reagan (1981-89) que os considerava úteis na mobilização anticomunista, e também como instrumento para bloquear as leis liberalizantes dos seus adversários do Partido Democrata.”

PELO MUNDO

Pena de morte para ateus é legalizada em 7 países

“De acordo com o relatório, que abrange 60 países, os sete (países) onde ser ateu ou desertar da religião oficial pode trazer a pena capital são o Afeganistão, Irã, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, Arábia Saudita e Sudão. (…)”

“Em muitos destes países, e outros como a Malásia, os cidadãos têm de se registrar como seguidores de religiões oficialmente reconhecidas, as quais normalmente incluem não mais do que o islã, cristianismo e judaísmo.
Ateus e humanistas são, assim, obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico, viajar para o exterior.
Países da Europa, da África subsaariana, da América Latina e da América do Norte, embora tenham governo tido como secular, dão privilégios a igrejas cristãs, como isenção fiscais e tratamento diferenciado em atividades como a educação.”

NO BRASIL

Religião e Política
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2015/04/bancada-evangelica-influencia-ate-deputados-catolicos-1215.html

“Mais recentemente é o forte tradicionalismo moral que tem marcado a atuação da Frente Parlamentar Evangélica, que trouxe para si o mandato da defesa da família e da moral cristã contra a plataforma dos movimentos feministas e de homossexuais e dos grupos de direitos humanos, valendo-se de alianças até mesmo com parlamentares católicos, diálogo historicamente impensável no campo eclesiástico.”

Marés

 


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Desejo a paciência

como as ondas do mar,

que a cada recuo,

um novo andar.



Mar amigo, amante,

mar ido, ficante,

o nosso gozo incessante,

tua espuma revela...



Recua meu mar soberbo

e te esconde nas brumas brancas 

para que eu, areia,  possa resplandecer

cada um dos meus grãos  cintilantes.                           



Recua meu mar grandioso

e me deixa ouvir o som

do teu desabar constante,                 

para que eu, areia,  possa acalentar

todos os que se sentam em mim

e meditam inebriados com o teu recital.                                       


Quando  te ausentas,

sonho castelos;  

acordo ventania,

louca, ensandecida

por não aguentar a espera…

                                     

Mas sempre voltas, 

fazendo  rendas 

pra me enfeitar....

E, rendada, rendida, risonha

me abro para te amar...  

 
Volta, meu mar amante,

a cada fim do dia

para que eu, areia, me junte a ti 

sem o menor temor de desaparecer!

 

Queria trazer-te as pérolas mais lindas

para bordar na tuas rendas,

Queria lamber todas as tuas fendas,

e conhecer os castelos dos teus sonhos,

 

Mas, amiga, amante, tenho que ir...

ainda que queira ficar...

e nas idas e vindas, vivo,

pela certeza de sempre te encontrar...

 

Vem e volta, mar bravio,

leva contigo o fastio

dos dias sem qualquer calor.

 

Traz de volta a melodia

de tuas vagas, noite e dia,

suaves como o langor

de meus castelos, areia,

banhados por lua cheia

resplandecente em fulgor,

 

que vara a noite toda

para morrer na alvorada

de tua espuma espraiada

em mim, areia esbranquiçada,

vestida de só uma cor.

 
                              Brasília, agosto/2016

Rosete, Soniahelena, Teresa Mury e Teresa Lirio